Os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 no estado de São Paulo revelam um cenário político polarizado e com nuances regionais marcantes. Enquanto o candidato Flávio Bolsonaro (PL) consolidou uma ampla vitória no interior paulista, conquistando a maioria esmagadora dos municípios, o presidente Lula (PT) obteve a preferência do eleitorado na capital, São Paulo.
A disputa no maior colégio eleitoral do país, que historicamente funciona como um termômetro para o cenário nacional, demonstra a persistência de divisões geográficas no voto. A performance dos dois principais nomes da corrida presidencial em São Paulo é crucial para entender as tendências e os desafios que se desenham para o segundo turno, caso ocorra.
A Disputa no Coração Econômico do País
No panorama geral do estado, Flávio Bolsonaro (PL) emergiu como o grande vencedor, assegurando a preferência em 603 das 645 cidades paulistas. Com um total de 12 milhões de votos, o candidato do PL alcançou 51,93% do eleitorado de São Paulo, um desempenho robusto que reflete a força de sua base no interior e em regiões metropolitanas fora da capital. Essa capilaridade de votos no interior é um fator determinante para a sua liderança estadual.
Por outro lado, o presidente Lula (PT) concentrou sua vitória em 40 cidades, totalizando 9 milhões de votos, o que corresponde a 38,20% do eleitorado paulista. Sua principal fortaleza foi a capital, São Paulo, onde obteve 46,58% dos votos (cerca de 3 milhões de eleitores), superando Flávio Bolsonaro, que ficou com 42,13% (aproximadamente 2,7 milhões de votos) na metrópole. A capital paulista, com seus 9,3 milhões de eleitores, representa um polo de decisão significativo e um contraponto ao domínio bolsonarista no restante do estado.
O Contraste entre Capital e Interior
A divisão do voto entre a capital e o interior de São Paulo não é um fenômeno novo, mas se acentua neste pleito de 2026. Historicamente, a capital paulista tende a apresentar um perfil de voto mais progressista e diversificado, enquanto o interior, muitas vezes influenciado por setores do agronegócio e por uma população com características socioeconômicas distintas, inclina-se a candidaturas de direita ou centro-direita. A votação mais expressiva de Flávio Bolsonaro ocorreu em Saltinho, no interior, onde ele alcançou impressionantes 78,71% dos votos. Já Lula teve seu melhor desempenho em Itapura, no norte do estado, na divisa com Mato Grosso do Sul, com 60,53% dos votos, indicando bolsões de apoio em regiões específicas.
Essa polarização geográfica reflete não apenas preferências políticas, mas também diferenças socioeconômicas e culturais. O interior do estado, com suas cidades menores e economia muitas vezes ligada ao setor primário e industrial, demonstra uma adesão forte às propostas de Flávio Bolsonaro. Enquanto isso, a capital, um centro urbano cosmopolita e diversificado, com grande concentração de serviços e uma população mais heterogênea, manteve sua preferência por Lula, reforçando a tendência de voto observada em pleitos anteriores.
O Cenário de 2022 como Precedente
Para contextualizar os resultados de 2026, é fundamental analisar o desempenho dos candidatos no primeiro turno de 2022. Naquela ocasião, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) venceu em 515 das 645 cidades paulistas, obtendo 47,71% do eleitorado (12,2 milhões de votos). Lula, por sua vez, conquistou 130 cidades e 40,89% dos eleitores (10,4 milhões de votos) no estado.
Na capital paulista em 2022, Lula teve uma vitória ainda mais expressiva, com 47,50% dos votos, contra 37,99% de Jair Bolsonaro. Comparando os dados, percebe-se que, em 2026, Flávio Bolsonaro conseguiu expandir a base de apoio no interior, aumentando o número de cidades conquistadas e a porcentagem de votos no estado. Já Lula, embora tenha mantido a vitória na capital, viu sua porcentagem de votos na cidade diminuir ligeiramente em relação a 2022, enquanto a de Flávio Bolsonaro cresceu na metrópole.
Outros Candidatos e a Fragmentação do Voto
Além dos dois principais contendores, outros candidatos também participaram da disputa, embora com votações mais modestas. Augusto Cury (Avante) obteve 3,59% dos votos no estado, seguido por Renan Santos (Missão), com 3,23%. Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 2,33%, e Zema (Novo) registrou 0,38%. Esses números, embora pequenos individualmente, contribuem para a fragmentação do voto e podem ser decisivos em um cenário de segundo turno, onde a busca por apoios e a transferência de votos se tornam cruciais. A performance desses candidatos reflete a diversidade de pautas e ideologias presentes no eleitorado paulista.
Os resultados do primeiro turno de 2026 em São Paulo oferecem um panorama detalhado das preferências do eleitorado paulista e das dinâmicas políticas que moldam o cenário nacional. A consolidação de Flávio Bolsonaro no interior e a resiliência de Lula na capital indicam uma disputa acirrada e a importância estratégica de cada região do estado. Para mais análises aprofundadas sobre política, economia e os desdobramentos das eleições, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação relevante, atual e contextualizada.