PUBLICIDADE

Ebola: OMS avalia baixo risco de disseminação global, mas alerta para cenário regional crítico

Ebola: OMS avalia baixo risco de disseminação global, mas alerta para cenário regional crítico
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, tranquilizou a comunidade internacional nesta segunda-feira (27) ao afirmar que o risco de disseminação do vírus ebola da República Democrática do Congo (RDC) para o restante do mundo é baixo. A declaração foi feita durante sua visita ao Rio de Janeiro, em meio a um surto persistente da doença que assola o país africano há meses.

Apesar da avaliação otimista para o cenário global, Ghebreyesus enfatizou que a situação na região africana continua sendo uma preocupação séria, com o risco para os países vizinhos permanecendo elevado. A doença, que já causou milhares de mortes, exige atenção contínua e esforços coordenados para sua contenção.

Ebola: o cenário do surto na África Central

Desde que o atual surto de ebola foi declarado em maio de 2026, a República Democrática do Congo tem enfrentado uma crise sanitária significativa. Mais de 3 mil casos da doença foram confirmados, resultando em cerca de 1,4 mil mortes. A vasta maioria das vítimas foi registrada na RDC, mas o vírus também se espalhou para a vizinha Uganda, elevando o nível de alerta regional.

A resposta humanitária e de saúde pública na RDC é complexa e desafiadora. Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou que a região focal do surto, no leste congolês, é palco de conflitos armados intensos. Essa instabilidade dificulta enormemente os esforços de contenção, impedindo o acesso seguro a comunidades e o rastreamento de contatos, além de causar o deslocamento de milhões de pessoas para acampamentos, onde as condições de higiene e saneamento podem ser precárias.

Embora a situação na RDC seja preocupante, o diretor-geral da OMS elogiou os esforços do governo congolês e a assistência de parceiros internacionais, ressaltando a necessidade de intensificar ainda mais essas ações. Em Uganda, por outro lado, a doença está sob controle, demonstrando a eficácia das medidas de resposta implementadas no país.

Ebola: a avaliação da OMS e a natureza do vírus

A confiança da OMS na baixa probabilidade de uma pandemia global de ebola reside na própria natureza do vírus. Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou que o ebola é transmitido por contato intenso com fluidos corporais de pessoas infectadas, e não pelo ar, como ocorre com doenças respiratórias como a COVID-19. Essa característica limita drasticamente sua capacidade de disseminação em larga escala para além das áreas de surto.

Historicamente, a incidência de ebola fora das regiões endêmicas na África tem sido extremamente rara. O diretor da OMS lembrou que, nos 50 anos desde a descoberta do vírus, foram registrados apenas cerca de 30 casos fora do continente africano. Esse dado reforça a perspectiva de que, com as medidas de controle adequadas, o risco de uma propagação global é minimizado.

Apesar disso, o alerta para a região africana é mantido. A proximidade geográfica e a movimentação de pessoas entre países vizinhos, como o caso de Uganda, tornam essas áreas particularmente vulneráveis. A OMS continua a trabalhar em estreita colaboração com os governos locais para fortalecer a vigilância, o diagnóstico precoce e a resposta rápida a novos casos, visando proteger as populações mais expostas.

Reconhecimento e liderança global em saúde

A visita de Tedros Adhanom Ghebreyesus ao Brasil também foi marcada por um importante reconhecimento. Nesta segunda-feira, ele foi homenageado com o título de Doutor Honoris Causa pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das mais prestigiadas instituições de ciência e tecnologia em saúde do mundo.

Em seu discurso, o diretor-geral da OMS elogiou a Fiocruz, descrevendo-a como uma líder em equidade sanitária e cooperação Sul-Sul. Ele destacou a instituição como um farol de esperança e excelência científica, não apenas para a América Latina, mas para todo o mundo. A homenagem sublinha a importância da colaboração internacional e do intercâmbio de conhecimentos para enfrentar os desafios globais de saúde.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, eleito diretor-geral da OMS em maio de 2017, é o primeiro africano a ocupar o cargo máximo da principal autoridade sanitária do planeta. Durante sua gestão, a OMS desempenhou um papel crucial na coordenação dos esforços internacionais para combater a pandemia de COVID-19. Sua trajetória profissional inclui um bacharelado em biologia pela Universidade de Asmara, um mestrado em imunologia e doenças infecciosas pela Universidade de Londres, e um PhD em saúde comunitária pela Universidade de Nottingham.

Antes de assumir a liderança da OMS, Tedros teve uma carreira política e acadêmica notável. Ele atuou como ministro da Saúde da Etiópia entre 2005 e 2012, período em que contribuiu para a fundação de um sistema de saúde com cobertura universal no país. Posteriormente, ocupou o cargo de ministro das Relações Exteriores etíope, de 2012 a 2016, consolidando sua experiência em diplomacia e políticas públicas.

Para se manter atualizado sobre os desdobramentos da saúde global, as últimas notícias do Brasil e do mundo, e análises aprofundadas sobre os temas mais relevantes, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é oferecer informação de qualidade, contextualizada e relevante para você.

Leia mais

PUBLICIDADE