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Mulheres negras clamam por direitos reprodutivos e partos livres de violência no Brasil

Mulheres negras clamam por direitos reprodutivos e partos livres de violência no Brasil
Eduardo Knapp/Folhapress

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a pauta dos direitos reprodutivos ganha destaque, evidenciando as complexas camadas de desafios enfrentados por mulheres negras no Brasil. Longe de se restringir à interrupção da gravidez, a discussão abrange a autonomia sobre o próprio corpo, o acesso à informação, a métodos contraceptivos eficazes e, crucialmente, a vivência de uma maternidade e um parto livres de violência e racismo.

A demanda por poder de escolha é unânime entre diversas vozes. A administradora Nathália Rodrigues, 26, conhecida como Nath Finanças, sublinha a importância de que mulheres negras possam determinar o momento ideal para ter filhos. Essa prerrogativa, muitas vezes negada por fatores socioeconômicos e estruturais, é um pilar para o planejamento familiar e o desenvolvimento pessoal.

A luta por autonomia reprodutiva e o acesso à informação

Para muitas mulheres negras, o direito reprodutivo transcende a mera decisão de engravidar. Ele se manifesta na capacidade de planejar a vida, ter acesso a uma educação sexual abrangente e a métodos contraceptivos adequados. A comunicadora Bruna Dias, 32, que cresceu na Rocinha, no Rio de Janeiro, testemunhou de perto o impacto da gravidez precoce, vendo muitas adolescentes abandonarem os estudos.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reforçam essa realidade alarmante: sete em cada dez meninas que engravidam antes dos 19 anos são pretas ou pardas. Além disso, seis em cada dez mães adolescentes não estão inseridas no mercado de trabalho nem na educação. Esses números não são apenas estatísticas; eles revelam um ciclo de vulnerabilidade e a intersecção entre raça, gênero e classe social.

A corretora de imóveis Patrícia Andrade, 46, que engravidou aos 22 anos e precisou interromper a faculdade de Letras, é um exemplo vivo dessa realidade. Ela defende que a educação sexual deve ser acessível e adequada à idade, começando com a menarca.

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