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Demanda por terapia hormonal causa escassez de progesterona e estrogênio nos EUA

zinkevych/Adobe Stock
Reprodução Folha

Aumento na procura por reposição hormonal pressiona estoques

O sistema de saúde dos Estados Unidos enfrenta um desafio crescente no fornecimento de medicamentos essenciais para a saúde feminina. Relatos de pacientes, médicos e farmacêuticos confirmam uma escassez significativa de progesterona oral, um hormônio amplamente utilizado em tratamentos de fertilidade e na terapia de reposição hormonal (TRH) durante a menopausa. O cenário é agravado pela falta crônica de adesivos de estrogênio, que já vinham apresentando desabastecimento em diversas regiões do país.

A crise de oferta ocorre em um momento de mudança no comportamento clínico. Desde o final de 2025, a FDA (Food and Drug Administration) removeu alertas de segurança que historicamente restringiam o uso de terapias hormonais. Essa decisão, somada a uma maior disseminação de informações sobre os benefícios da TRH por especialistas em redes sociais, impulsionou a confiança de médicos e pacientes, resultando em um aumento expressivo no número de prescrições.

Impacto nos tratamentos e dados de prescrição

A progesterona desempenha um papel fundamental na proteção do endométrio, sendo frequentemente prescrita em conjunto com o estrogênio para mitigar sintomas severos da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor e o risco de osteoporose. Segundo dados da empresa de análise de saúde Truveta, que monitora prontuários de 130 milhões de pacientes, o volume de prescrições de terapias contendo progesterona para mulheres acima de 45 anos triplicou desde janeiro de 2021.

A escassez atinge tanto grandes redes de farmácias, como a CVS Health, quanto o estoque de pacientes individuais. Relatos como o de Robin Wilson, 64, ilustram a dificuldade cotidiana: a impossibilidade de completar receitas de 90 dias, forçando o fracionamento das doses enquanto aguardam novas remessas. Fabricantes como a Amneal Pharmaceuticals e a Hikma Pharmaceuticals aparecem em listas oficiais de desabastecimento, embora afirmem estar trabalhando para ampliar a capacidade produtiva.

Riscos e alternativas no mercado de manipulação

Diante da instabilidade da cadeia de suprimentos comercial, muitos pacientes têm recorrido a farmácias de manipulação. Embora essa seja uma prática permitida em casos de desabastecimento oficial ou necessidade de dosagens personalizadas, especialistas alertam para os riscos envolvidos. A médica Gillian Goddard, da NYU Grossman School of Medicine, adverte que produtos manipulados não passam pelo mesmo rigor regulatório da FDA.

“Produtos manipulados podem conter dosagens imprecisas de progesterona, o que pode levar a problemas de saúde e à necessidade de exames invasivos, como biópsias, para investigar alterações inesperadas”, explica Goddard. A falta de um motivo claro para a escassez — se por gargalos na fabricação ou pelo aumento súbito na demanda — torna a resolução do problema um desafio para as autoridades de saúde, que seguem monitorando a disponibilidade dos medicamentos em todo o território americano.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta crise de saúde pública e o impacto das políticas de regulação farmacêutica na vida dos pacientes. Para se manter informado com análises aprofundadas sobre temas de relevância global e local, continue acompanhando nosso portal, onde priorizamos a apuração rigorosa e o compromisso com a informação de qualidade.

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