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Prefeitura de São Paulo multa rede hoteleira por desvirtuar uso de moradia popular

Prefeitura de São Paulo multa rede hoteleira por desvirtuar uso de moradia popular

Fiscalização aponta irregularidades em empreendimentos na Vila Mariana

A Prefeitura de São Paulo aplicou multas que somam R$ 224,8 mil à rede Cozzy Smart Hospitality. A sanção ocorre após a constatação de que dois hotéis da marca, localizados no distrito da Vila Mariana, operam em prédios originalmente destinados a habitação popular. Os imóveis, que deveriam servir como moradia fixa para famílias de baixa renda, foram convertidos em unidades de hospedagem de luxo, voltadas ao público corporativo e de lazer.

A irregularidade foi identificada após denúncias que ganharam força nas últimas semanas, envolvendo tanto a fiscalização direta da administração municipal quanto apontamentos feitos por parlamentares e órgãos de imprensa. A Secretaria de Urbanismo e Licenciamento, diante da gravidade do caso, suspendeu os certificados de conclusão das obras na última sexta-feira (24), dando início a um processo administrativo que pode resultar em novas penalidades para os responsáveis.

O impacto do desvirtuamento na política habitacional

Os empreendimentos em questão, batizados como Cozzy Premium Paulista e Cozzy Suítes Paraíso, foram construídos sob a modalidade de Habitação de Mercado Popular (HMP). Esse regime jurídico prevê incentivos fiscais e urbanísticos vultosos por parte do poder público, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional da capital paulista. Pela legislação vigente, essas unidades devem ser destinadas exclusivamente a famílias com renda mensal de até dez salários mínimos.

Ao transformar apartamentos populares em hotéis de categoria quatro estrelas, a empresa não apenas ignora a finalidade social do projeto, mas também se beneficia indevidamente de subsídios públicos que deveriam garantir o acesso à moradia. A prática, classificada pela subprefeitura local como “desvirtuamento de uso”, coloca em xeque a eficácia da fiscalização sobre os incentivos concedidos a construtoras e incorporadoras na cidade.

Desdobramentos jurídicos e administrativos

Desde o início das investigações, a empresa Rosaneto, responsável pelos prédios e ligada ao empresário Jessé Botaro Junior, tem negado a existência de irregularidades. No entanto, o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) dos empreendimentos aponta que a atividade principal declarada é a hotelaria, enquanto as licenças municipais concedidas para os edifícios restringem-se a serviços de manutenção, gestão imobiliária e organização de eventos, sem autorização para operação hoteleira.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem enfrentado pressões crescentes para endurecer o controle sobre o setor. Segundo dados oficiais, a prefeitura já aplicou multas em 24 empreendimentos por desvios similares, totalizando R$ 7,7 milhões em penalidades. O Ministério Público de São Paulo, por sua vez, tem questionado a celeridade e a eficácia da fiscalização municipal, alegando negligência no acompanhamento das unidades habitacionais.

Compromisso com a informação

O caso da rede Cozzy é um exemplo emblemático dos desafios urbanísticos enfrentados por São Paulo, onde a pressão do mercado imobiliário frequentemente colide com a necessidade de políticas públicas voltadas à habitação. A empresa tem um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa administrativa perante a subprefeitura da Vila Mariana.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso, que impacta diretamente o planejamento urbano e o direito à cidade. Para continuar recebendo notícias relevantes sobre urbanismo, política e os fatos que moldam a nossa metrópole, acompanhe nossas atualizações diárias e mantenha-se informado com a qualidade e o rigor jornalístico que você já conhece.

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