A reta final de uma campanha eleitoral é, por natureza, um período de intensa polarização e foco nos temas que as candidaturas consideram estratégicos. No entanto, a nove dias do primeiro turno, o cenário político foi surpreendido pela ascensão de dois assuntos inesperados que dominaram o debate público: a possível proibição das apostas esportivas, conhecidas como bets, e um boato envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Esses temas, que não estavam no radar das campanhas um mês antes, ganharam força e influenciaram significativamente a percepção dos eleitores.
O epicentro dessa reviravolta ocorreu em 25 de setembro, quando o governo publicou uma medida provisória (MP) relacionada às apostas. No mesmo dia, a controvérsia sobre a santa ganhou um novo capítulo com a decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ordenou a remoção de publicações sobre o boato. A liminar, contudo, foi derrubada dois dias depois, em 27 de setembro, pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que argumentou falta de motivação e proporcionalidade na ordem inicial, sem entrar no mérito do conteúdo.
Apostas esportivas: a medida provisória e a repercussão
A medida provisória que abordava a proibição das apostas esportivas rapidamente se tornou um dos principais pontos de discussão. A inteligência de narrativas da Palver, que monitorou mais de 100 mil grupos públicos em aplicativos de mensagens, além de plataformas como X (antigo Twitter), Instagram e YouTube, revelou que o tema das bets dominou a conversa em todas as redes, atingindo seu pico no dia da assinatura da MP. A relevância do assunto pode ser atribuída ao rápido crescimento do mercado de apostas no Brasil e às discussões sobre sua regulamentação e impactos sociais. Para entender mais sobre o cenário das apostas no país, clique aqui.
Apesar da forte presença nas redes, a percepção pública sobre a proibição das bets mostrou um contraste interessante. A maioria dos que se posicionaram aprovou a medida: 65% nos aplicativos de mensagem, 73% no X, 75% no Instagram e 81% no TikTok registraram menções positivas. O YouTube foi a exceção, com 52% de aprovação. No entanto, a imprensa de primeira linha, especialmente rádio e televisão, adotou uma postura oposta. O apoio à medida na mídia tradicional foi de apenas 26%, e a crítica subiu de 70% para 86% após a assinatura da MP. O argumento de que a proibição empurraria as apostas para o mercado ilegal ganhou mais espaço do que a tese de que a medida era eleitoreira.
Curiosamente, o crédito pela medida não se traduziu em um aumento significativo de apoio ao então presidente Lula. As menções positivas a ele, dentro da mesma conversa sobre as bets, ficaram entre 33% e 54% nas diferentes plataformas, bem abaixo da aprovação da proibição em si. Uma parcela de 13% a 23% dos usuários chegou a atacar Lula por