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Criptomoeda vinculada a campanha de Flávio Bolsonaro levanta alertas na Justiça Eleitoral

Criptomoeda vinculada a campanha de Flávio Bolsonaro levanta alertas na Justiça Eleitoral
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O mecanismo de incentivo financeiro na propaganda eleitoral

Um novo esquema de distribuição de ativos digitais tem gerado questionamentos sobre a legalidade da propaganda eleitoral no ambiente virtual. Desde o dia 6 de outubro de 2026, um site de criptomoedas passou a oferecer tokens a usuários que realizam a divulgação de conteúdos favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro. A estratégia, que utiliza a marca “B22”, vincula benefícios financeiros à promoção do número eleitoral do parlamentar, que figura como presidenciável.

A operação ganhou visibilidade através do perfil hyperskidsafrica, uma conta no Instagram com 12,9 milhões de seguidores voltada para ações de caridade em Uganda. Em um dos vídeos publicados, crianças aparecem vestindo camisetas com a estampa do token e entoando slogans de apoio ao candidato, alcançando mais de 1,2 milhão de visualizações. O site responsável pela iniciativa alega que parte dos recursos obtidos com a venda das moedas seria destinada a projetos sociais, embora a estrutura de recompensa por compartilhamento seja o ponto central da controvérsia.

Paralelos com estratégias anteriores e riscos jurídicos

Especialistas em direito eleitoral apontam semelhanças entre essa iniciativa e os chamados “campeonatos de cortes” realizados durante a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024. Naquela ocasião, a oferta de prêmios em dinheiro para quem impulsionasse vídeos do candidato foi interpretada pela Justiça como abuso de poder econômico. A legislação brasileira veda expressamente a concessão de vantagem financeira em troca da veiculação de propaganda eleitoral na internet.

O advogado eleitoral Hélio Silveira, que atuou em processos sobre o tema, destaca que a estrutura atual pode configurar doação irregular de pessoa jurídica. “Trata-se da mesma lógica e estrutura do que Marçal fazia: oferece incentivos financeiros para as pessoas divulgarem a campanha e o candidato”, avalia Silveira. O uso de uma empresa de criptomoedas para financiar a disseminação de propaganda política levanta dúvidas sobre a origem dos recursos e a conformidade com as normas de prestação de contas da Justiça Eleitoral.

Precedentes e a postura da Justiça Eleitoral

A Justiça Eleitoral brasileira tem adotado uma postura rigorosa em relação ao uso de incentivos financeiros para engajamento político. Em dezembro de 2025, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) confirmou a inelegibilidade de Pablo Marçal por oito anos, justamente em decorrência dos concursos de cortes. O entendimento do tribunal foi de que a prática desequilibra a disputa eleitoral ao transformar o apoio político em uma atividade remunerada por terceiros.

Até o momento, a empresa por trás do token B22 não reconheceu qualquer vínculo oficial com a campanha de Flávio Bolsonaro. A equipe do senador, por sua vez, não se manifestou sobre o caso. O episódio reforça o desafio das autoridades em monitorar o uso de novas tecnologias e ativos digitais como ferramentas de influência política, um campo que permanece sob observação constante dos órgãos de controle.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os impactos das novas tecnologias no processo democrático. Para se manter informado sobre os bastidores da política nacional e as decisões dos tribunais superiores, continue acompanhando nossa cobertura diária, pautada pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a transparência informativa.

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