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Chico Lopes: relembrando a queda e as decisões cruciais na crise de 1999

7.jul.17 /Folhapress
7.jul.17 /Folhapress

A notícia do falecimento de Chico Lopes, recebida em 8 de maio, reacendeu a memória de um dos economistas mais brilhantes e influentes da história recente do Brasil. Reconhecido por seu profundo estudo sobre a hiperinflação e sua participação ativa em planos econômicos heterodoxos, desde o Plano Cruzado até a concepção do Plano Real, Lopes deixou um legado indelével, especialmente na estruturação do Comitê de Política Monetária (Copom), pilar da governança monetária nacional.

Candido Bracher, em sua análise, recorda o homem tímido, mas de sorriso fácil, que conheceu em 1985, em Brasília. Naquele período efervescente, Chico Lopes integrava um seleto grupo de jovens economistas – Persio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha – que, sob a liderança de Fernão Bracher, então presidente do Banco Central, debatiam e moldavam o futuro econômico do país. A admiração por sua inteligência e espírito público, forjada naqueles encontros, acompanhou Candido Bracher por toda a vida.

Um economista à frente de seu tempo e a efervescência dos debates

A década de 1980 e o início dos anos 1990 foram marcados por uma intensa busca por soluções para a instabilidade econômica brasileira. Chico Lopes, com sua consultoria Macrométrica, era uma voz respeitada nesse cenário. Candido Bracher relembra os jantares semanais na casa de seus pais, que se tornaram um fórum informal para discussões aprofundadas sobre os cenários econômicos.

Esses encontros, que visavam auxiliar clientes corporativos do recém-fundado BBA Creditanstalt a navegar pela volatilidade, contavam com a presença de Lopes como palestrante e convidado. Sua timidez não ofuscava seu bom humor e o prazer em participar de debates construtivos, característica de pessoas com autêntico espírito público, como destaca Bracher.

O cenário de volatilidade e o papel crucial da BM&F

Com o sucesso do Plano Real em 1994, a economia brasileira experimentou um período de relativa estabilidade. Contudo, a calmaria foi breve. Crises internacionais, como a asiática de 1997 e a russa de 1998, trouxeram de volta a volatilidade. O Brasil, ainda com uma significativa dívida externa, via o câmbio e as taxas de juros sob pressão constante, exigindo mecanismos de proteção para empresas e o sistema financeiro.

Nesse contexto, os mercados futuros da BM&F (atual B3) desempenhavam um papel vital. Eles permitiam que agentes econômicos se protegessem de flutuações cambiais e de juros, ao mesmo tempo em que a participação de especuladores garantia a liquidez necessária. A BM&F atuava como

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