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Câmara de São Paulo aprova projeto que transforma vagas de estacionamento em áreas verdes

na Aclimação Leonardo Zvarick/g1
Reprodução G1

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em segundo turno, o projeto de lei que institui o programa de Vagas Verdes na capital paulista. A medida autoriza a conversão de espaços atualmente destinados ao estacionamento de veículos em canteiros arborizados, posicionados junto às guias das calçadas. O texto segue agora para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), marcando uma mudança significativa na política de ocupação do solo urbano.

Objetivos e impacto ambiental das vagas verdes

O projeto visa combater o fenômeno das ilhas de calor, frequente em grandes metrópoles, ao aumentar a área permeável e a cobertura vegetal. Além de proporcionar sombra e conforto térmico, as estruturas funcionam como jardins de chuva, facilitando a infiltração da água no solo e reduzindo o impacto de enchentes. A iniciativa prioriza regiões com menor índice de arborização e áreas mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, promovendo o conceito de justiça climática.

Mudanças no texto e diretrizes de implementação

Durante a tramitação, o Legislativo acatou alterações propostas pelo Executivo. Entre as mudanças, foi suprimido o artigo que estabelecia um comprimento mínimo de 5 metros para os canteiros, bem como a permissão para a instalação de mobiliário urbano, como mesas e bancos. A regulamentação detalhada, incluindo critérios de drenagem, segurança viária e declividade, ficará a cargo da Prefeitura, garantindo que as intervenções não prejudiquem o fluxo de tráfego nas vias.

Compensação ambiental e participação popular

Uma das finalidades estratégicas do programa é viabilizar o plantio de mudas decorrentes de compensações ambientais. Segundo a vereadora Renata Falzoni (PSB), uma das autoras da proposta ao lado de Marina Bragante (PSB) e Nabil Bonduki (PT), a cidade possui um passivo de cerca de 450 mil árvores que aguardam locais adequados para o plantio. O projeto permite que essas compensações sejam aplicadas na criação das vagas verdes, otimizando o uso de recursos de Termos de Compromisso Ambiental (TCA) e Termos de Ajuste de Conduta (TAC).

A participação dos moradores também é um pilar do programa. Cidadãos poderão solicitar a instalação em suas quadras e colaborar com o monitoramento e a conservação da vegetação. Contudo, a legislação deixa claro que o espaço permanece público, sem conferir qualquer direito de uso privativo aos solicitantes. A inspiração para o modelo vem de cidades como Paris, que possui um plano ambicioso de converter milhares de vagas de estacionamento em áreas verdes até 2030.

Experiências anteriores e o futuro da arborização

A capital paulista já possui experiências práticas com o tema. Um projeto-piloto na Rua Santo Antônio, na Bela Vista, demonstrou a viabilidade da proposta ao plantar um jacarandá mimoso em uma vaga de estacionamento, com manutenção compartilhada por moradores. Além disso, a Prefeitura de São Paulo já mantém programas similares, como os jardins de chuva, que demonstram a eficácia da vegetação na filtragem de poluentes e na recarga do lençol freático.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta política pública e como a implementação das Vagas Verdes transformará a paisagem urbana de São Paulo. Continue conosco para mais atualizações sobre sustentabilidade, mobilidade e o cotidiano da metrópole.

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