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Líder indígena Raoni, aos 94 anos, mostra boa evolução clínica após cirurgia em São Paulo

uma cirurgia de desobstrução intestinal no Hospital São Paulo, segundo o boletim
Reprodução G1

O cacique Raoni Metuktire, uma das mais proeminentes vozes na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente no Brasil, apresentou uma “boa evolução clínica” após ser submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal. O procedimento foi realizado no Hospital São Paulo, na capital paulista, e o boletim médico divulgado neste domingo (21) trouxe alívio aos que acompanham a saúde do líder de 94 anos.

A intervenção cirúrgica, ocorrida no sábado (20), foi descrita como minimamente invasiva e transcorreu sem complicações. Atualmente, o cacique Raoni permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde está sob acompanhamento constante. Segundo a equipe médica, ele se encontra consciente, afebril, respirando em ar ambiente e respondendo às solicitações, indicando um quadro de recuperação favorável. O tratamento inclui a administração de antibióticos e suporte clínico contínuo.

Acompanhamento médico e o procedimento cirúrgico

A internação do cacique Raoni teve início na sexta-feira (19), após sua transferência de avião de Sinop, no Mato Grosso, para São Paulo. Ele havia sido hospitalizado inicialmente em Sinop no domingo anterior (14), já em estado grave, com um quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa. Exames preliminares no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, revelaram alterações na função renal e indicadores de um processo infeccioso grave.

A decisão de transferi-lo para a capital paulista visou garantir a continuidade do tratamento em uma unidade de referência, especialmente para o acompanhamento cirúrgico. Durante todo o trajeto, desde a saída da UTI em Sinop até o embarque no Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, o cacique foi assistido pelo médico Douglas Yanai, da equipe do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. Yanai ressaltou a força de Raoni, apesar de seu histórico médico e da fragilidade natural da idade avançada.

A trajetória de saúde do líder indígena

A saúde de Cacique Raoni tem sido motivo de atenção nos últimos anos, com diversas internações que evidenciam sua resiliência. Em maio deste ano, ele foi hospitalizado por fortes dores abdominais decorrentes de uma hérnia antiga, recebendo alta em dois dias. Contudo, logo depois, precisou retornar à UTI para tratar um quadro de pneumonia.

O líder indígena possui múltiplas comorbidades, incluindo Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca. Em setembro de 2022, ele passou cinco dias internado em Sinop para o implante de um marcapasso devido a um problema cardíaco. Em julho de 2020, foi hospitalizado em Colíder com complicações gastrointestinais e desidratação, sendo transferido para Sinop. No mesmo ano, em setembro, foi diagnosticado com pneumonia e também enfrentou um quadro depressivo após a perda de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire.

Cacique Raoni: a voz global pela Amazônia e povos indígenas

A importância de Cacique Raoni transcende as questões de saúde. Ele é reconhecido mundialmente como um dos mais influentes ativistas na defesa dos direitos indígenas e da preservação ambiental. Desde que iniciou seu ativismo em 1954, Raoni tem sido uma figura central na luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos originários, contribuindo significativamente para a inclusão dessas garantias na Constituição de 1988.

Sua trajetória é marcada por momentos de destaque internacional, que amplificaram a voz da Amazônia e de seus povos:

  • Em 1977, um documentário sobre sua vida foi exibido no Festival de Cannes, na França, projetando-o globalmente.
  • Em 1989, realizou uma turnê internacional por 17 países ao lado do ex-baixista Sting, da banda The Police, alertando o mundo para a destruição da floresta.
  • Em 2012, foi recebido pelo então presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu, onde reiterou seu apelo pela proteção da Amazônia.
  • Em 2020, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em reconhecimento à sua atuação.
  • Em 2023, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na subida da rampa do Palácio do Planalto, simbolizando a representatividade indígena.
  • Em 2024, encontrou-se com o Papa Francisco no Vaticano para discutir as mudanças climáticas e suas catástrofes.

No ano passado, o presidente Lula concedeu a Raoni o título de Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria do país, em reconhecimento à sua incansável dedicação. Acompanhar a saúde de Raoni é, portanto, acompanhar a saúde de uma causa que impacta o Brasil e o mundo.

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