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Nutrição ética: por que o ‘antes e depois’ é vedado e como a profissão se protege

Danilo Verpa/Folhapress
Danilo Verpa/Folhapress

A era digital transformou a forma como profissionais de diversas áreas interagem com seus públicos, e a nutrição não é exceção. Nas redes sociais, é comum deparar-se com imagens de “antes e depois” que prometem transformações físicas rápidas, muitas vezes associadas a protocolos dietéticos específicos. Contudo, para os profissionais de nutrição no Brasil, essa prática é estritamente proibida pelo Conselho Federal de Nutrição (CFN), uma medida que visa proteger tanto a população quanto a integridade da profissão.

nutricionistas: cenário e impactos

A vedação do uso de comparações estéticas não é arbitrária, mas sim um pilar fundamental do código de ética que rege a atuação dos nutricionistas. Ela reflete uma compreensão aprofundada da complexidade do cuidado nutricional, que vai muito além da estética e se concentra na promoção da saúde integral, na prevenção de doenças e no auxílio a tratamentos, com uma abordagem personalizada e baseada em evidências científicas.

A complexidade do cuidado nutricional e o código de ética

A nutrição é uma profissão regulamentada, e cada nutricionista precisa ter um registro ativo e obedecer a um rigoroso código de ética e conduta, que possui força de lei. Segundo Evie Grinberg Mandelbaum, coordenadora da Comissão de Ética do CRN-3 (Conselho Regional de Nutrição 3ª região), a prática de divulgar fotos de “antes e depois” não consegue representar a verdadeira complexidade do cuidado nutricional.

O trabalho do nutricionista abrange um espectro vasto de especialidades, que vão desde a oncologia e cardiologia até a nutrição esportiva, totalizando mais de 30 áreas reconhecidas. O foco principal é a prevenção de doenças, o auxílio em tratamentos e a promoção da saúde de forma abrangente, considerando as particularidades de cada indivíduo e a ciência por trás de cada intervenção.

O impacto da imagem: expectativas e saúde mental

A linha entre a demonstração de resultados e a promessa irreal de transformações é tênue, como aponta a nutricionista e criadora de conteúdo Monique Fonseca. Embora a divulgação de “antes e depois” possa, à primeira vista, parecer uma forma de mostrar a eficácia de um método, ela carrega o risco de promover expectativas irreais e de gerar uma sensação de competição e fracasso em quem não atinge mudanças estéticas visíveis e extremas.

Essa exposição pode afetar negativamente a relação de confiança entre o profissional e o paciente, impactando diretamente as expectativas em relação ao processo de cuidado. A pressão por um padrão estético idealizado, muitas vezes irrealista, pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de transtornos alimentares e de imagem, como anorexia e bulimia, temas frequentemente abordados por especialistas como Nayani Real e Rebeca Oliveira.

Alternativas éticas para demonstrar resultados

Profissionais como o nutricionista e criador de conteúdo Luís Castello demonstram que é possível comunicar o valor do trabalho nutricional sem recorrer a comparações visuais. Ele prefere compartilhar conquistas relatadas pelos seus pacientes, como “estou consumindo mais frutas” ou “meus exames melhoraram”. Essa abordagem foca em indicadores de saúde e bem-estar, que são mais relevantes e sustentáveis do que a mera mudança estética.

A respeito das dietas restritivas, Evie Grinberg Mandelbaum esclarece que não há proibição, desde que sejam clinicamente pertinentes e embasadas em evidências científicas. A chave está na adequação da conduta às necessidades individuais do paciente e na comprovação de sua eficácia e segurança, e não na promessa de um corpo “perfeito”.

Fiscalização e proteção: o papel dos conselhos de nutrição

O Conselho Federal de Nutrição e seus conselhos regionais desempenham um papel crucial na fiscalização e na proteção da população. As denúncias contra profissionais são apuradas rigorosamente, e, uma vez comprovadas, levam à notificação e orientação para que o nutricionista adeque sua conduta. O foco principal não é a punição, mas sim a proteção da população e a preservação da integridade e credibilidade da profissão.

Em casos de não adaptação, há um reforço da regulamentação profissional e do dever de obediência ao código de ética, podendo levar a medidas mais drásticas apenas em situações de maior gravidade. Essa atuação garante que a nutrição seja exercida com responsabilidade, ética e compromisso com a saúde e o bem-estar dos indivíduos.

Para mais informações sobre o código de ética profissional, acesse o site oficial do Conselho Federal de Nutrição.

A discussão sobre a proibição do “antes e depois” na nutrição é um reflexo da evolução da compreensão sobre saúde e bem-estar em um mundo cada vez mais conectado. O M1 Metrópole continua acompanhando esses debates, trazendo informações relevantes e contextualizadas para que você, leitor, esteja sempre bem informado. Continue conosco para mais notícias e análises aprofundadas sobre temas que impactam sua vida e a sociedade.

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