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Bolsonaro e filme: emendas parlamentares de PL e PT em SP geram controvérsia

te que beneficiaram um instituto e uma empresa relacionados à empresária Carina
Reprodução G1

Um levantamento recente revelou que deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), de partidos como PL e PT, destinaram um total de R$ 703 mil em emendas parlamentares para empresas e entidades diretamente ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, uma biografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A notícia reacende o debate sobre a transparência no uso de recursos públicos e as conexões entre política, cultura e financiamento.

A destinação desses valores, que envolveu ao menos quatro parlamentares estaduais, sendo três do Partido Liberal (PL) e um do Partido dos Trabalhadores (PT), levanta questionamentos sobre os critérios e a fiscalização na alocação de verbas que deveriam beneficiar projetos culturais e esportivos de forma mais ampla. As entidades beneficiadas estão relacionadas à empresária Carina Gama, sócia da produtora Go Up, responsável pela obra cinematográfica.

O financiamento do filme sobre Bolsonaro: R$ 703 mil em emendas

As emendas parlamentares, instrumentos que permitem aos deputados indicar a destinação de parte do orçamento público para projetos específicos, foram direcionadas em diferentes momentos e com variados status de liberação. A deputada estadual Valeria Bolsonaro (PL), que não possui parentesco com o ex-presidente, foi uma das primeiras a destinar recursos, com R$ 100 mil em dezembro de 2023, valor que já foi pago a um instituto presidido por Carina Gama.

Outros parlamentares do PL também contribuíram. O deputado Gil Diniz indicou R$ 200 mil para o ano de 2025, destinados a uma empresa igualmente ligada à empresária. Já Lucas Bove (PL) propôs uma emenda de R$ 213 mil para este ano, mas a liberação do montante foi barrada por problemas burocráticos, impedindo o empenho da verba até o momento.

A participação do PT na destinação de recursos também chamou atenção. O deputado Luiz Fernando (PT) indicou R$ 190 mil em emenda parlamentar para este ano. Embora um grupo de teatro tenha sido o proponente inicial, ele indicou o instituto presidido por Carina Gama como recebedor. Contudo, como a emenda está prevista para 2026, o valor ainda não foi empenhado, mantendo-se no aguardo de futuras liberações.

Os bastidores turbulentos do filme “Dark Horse” e seu financiamento

O filme “Dark Horse” já vinha sendo alvo de intensa polêmica antes mesmo das revelações sobre as emendas parlamentares. A produção ganhou destaque na mídia por seu financiamento, que incluiu a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As negociações, conforme revelado pelo portal Intercept Brasil em 13 de maio, envolveram contatos diretos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, que teria solicitado e pressionado por pagamentos, totalizando R$ 61 milhões do banqueiro.

A situação de Vorcaro adiciona uma camada de complexidade ao caso: ele está atualmente preso em Brasília, sob a acusação de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, que pode alcançar a cifra de R$ 12 bilhões, de acordo com investigações da Polícia Federal. A confirmação das informações e a existência de áudios que comprovam as trocas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro foram corroboradas pela TV Globo, após acesso a investigadores e fontes próximas ao caso.

Contradições e reviravoltas nas declarações sobre o filme Bolsonaro

A repercussão das denúncias foi marcada por uma série de inconsistências e contradições nas declarações dos principais envolvidos. Flávio Bolsonaro, que inicialmente tentou associar o escândalo do Banco Master ao governo Lula e ao PT, chegou a negar qualquer contato com Vorcaro. Após a divulgação das mensagens, ele admitiu ter mentido, justificando-se com uma suposta cláusula de confidencialidade no contrato de financiamento.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) também alterou sua versão dos fatos. Primeiramente, ele afirmou ter apenas apresentado um advogado responsável pela estrutura financeira do filme. No entanto, o Intercept Brasil revelou um contrato que o designava formalmente como produtor-executivo, com a responsabilidade de captação de recursos. Diante da evidência, Eduardo Bolsonaro admitiu ter assinado o documento.

Até mesmo o produtor executivo do filme, Mário Frias, ex-secretário de Cultura, entrou na lista de contradições. Ele inicialmente contradisse Flávio Bolsonaro, afirmando que não havia “um único centavo” de Daniel Vorcaro no projeto. Contudo, recuou no dia seguinte, esclarecendo que a relação jurídica do filme era com a Entre Investimentos e Participações, empresa que atuava em parceria com outras companhias de Vorcaro, e não diretamente com o banqueiro.

Repercussão política e o uso de recursos públicos no projeto

A destinação de emendas parlamentares para um projeto já envolto em tantas controvérsias, e com figuras políticas de alto escalão na linha de frente, intensifica o debate sobre a ética e a transparência na gestão dos recursos públicos. A mistura de interesses políticos, culturais e financeiros levanta sérias questões sobre a finalidade das emendas e a fiscalização de seu uso, especialmente quando os beneficiários têm ligações diretas com projetos de cunho político.

Para o M1 Metrópole, aprofundar-se nesses temas é fundamental para oferecer uma leitura completa e contextualizada dos fatos. Acompanhe nosso portal para mais análises sobre política, economia e os desdobramentos dessas investigações, garantindo acesso a informações relevantes e apuradas que impactam diretamente a realidade brasileira.

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