Um temporal de proporções históricas atingiu o Centro de São Paulo na última quarta-feira, 14 de outubro, transformando o Túnel do Vale do Anhangabaú em um cenário de caos e desespero. Em apenas 40 minutos, a região do córrego do Anhangabaú registrou um volume de chuva equivalente ao esperado para 11 dias inteiros do mês, submergindo completamente dezenas de veículos e expondo a vulnerabilidade da infraestrutura urbana da capital paulista diante de eventos climáticos extremos.
O impacto mais dramático foi sentido no túnel, uma das principais vias da cidade, onde 26 carros e dois ônibus ficaram presos e submersos. Motoristas e passageiros viveram momentos de pânico, com a água subindo rapidamente, forçando-os a abandonar seus veículos em busca de segurança. A prefeitura de São Paulo informou que o volume acumulado foi de 42 milímetros, o que representa 37% dos 112 milímetros previstos para todo o mês de outubro na capital.
Cenário de pânico e resgate no túnel submerso
As imagens capturadas por motoristas no local revelam a dimensão do desastre: veículos cobertos pela água até as janelas, pessoas tentando desesperadamente sair de seus automóveis e a correnteza arrastando detritos. Um motorista, que preferiu não se identificar, relatou o susto: “Vimos a água entrando no túnel e em cinco minutos chegou a água na porta do carro. Com isso, tivemos que sair do veículo”.
Após o nível da água baixar, equipes de resgate atuaram para auxiliar as pessoas presas. Inicialmente, o Corpo de Bombeiros informou a existência de pelo menos quatro vítimas, sem detalhar a situação delas. A força da água, que em 42 milímetros representa 42 litros por metro quadrado, superou a capacidade de escoamento do sistema de drenagem, mesmo com as seis bombas instaladas no túnel funcionando ininterruptamente desde as 15h38, horário em que as interdições começaram.
Resposta municipal e a fúria dos elementos
A administração municipal, por meio do prefeito Nunes, em publicação no Instagram às 18h30 daquela quarta-feira, reconheceu a intensidade do fenômeno. “Foi um volume realmente grande e inesperado em um período muito curto, mas estamos aqui trabalhando para restabelecer completamente a cidade”, afirmou. A prefeitura destacou que o sistema de monitoramento do túnel opera 24 horas por dia com sensores e câmeras, e que um caminhão de bombeamento emergencial foi mobilizado para reforçar a drenagem. Equipes de limpeza urbana também foram acionadas para atuar nos trechos onde a água já havia baixado.
Contudo, o temporal não se limitou ao Anhangabaú. Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) e da Rede Telemétrica do Alto Tietê revelam a amplitude da tempestade. A estação meteorológica da Sé registrou 48,5 milímetros de chuva, o maior índice do órgão. Outras regiões também foram severamente afetadas, como Vila Nova Cachoeirinha (21,5 milímetros), Ribeirão dos Meninos (17,2 milímetros), Oratório (16,8 milímetros) e Vila Madalena (12 milímetros).
Tragédia e alertas em diversas zonas da capital
Além dos alagamentos, a chuva intensa provocou uma tragédia na Zona Norte da capital: uma moradora da Brasilândia morreu após sua casa ser atingida por um deslizamento de terra. O Lago do Ibirapuera transbordou, alagando o parque, e o córrego Sapateiro, na mesma região, acumulou 67,8 milímetros. O Parque da Aclimação registrou 64 milímetros, enquanto o córrego Anhangabaú, na Avenida 23 de Maio, teve 47,2 milímetros, e o Rio Tamanduateí, próximo ao Mercado Municipal, marcou 42,4 milímetros.
A tempestade também veio acompanhada de ventos fortes, com rajadas que atingiram 88,9 km/h no Aeroporto de Congonhas às 16h44, e 43,3 km/h na estação do CGE na Sé às 15h40. Houve ainda registro de queda de granizo na região da Consolação, no Centro, no mesmo horário.
Previsão de mais temporais e histórico de vulnerabilidade
A Climatempo e a Defesa Civil de São Paulo emitiram alertas para a possibilidade de novos temporais nos dias seguintes. A previsão para a quinta-feira (15) e sexta-feira (16) aponta para chuva durante todo o dia e noite, com volumes significativos. Na quinta, são esperados 59,9 milímetros de chuva e ventos de até 46 km/h. Na sexta, 39,9 milímetros e rajadas de até 48 km/h, com 100% de probabilidade de chuva em ambos os dias. A Defesa Civil alertou para acumulados que podem chegar a 80 milímetros na faixa leste do estado, Grande São Paulo, Baixada Santista e Vale do Ribeira, reforçando a necessidade de atenção.
O Túnel do Vale do Anhangabaú não é novato em alagamentos. Em 2021, uma forte chuva já havia inundado uma das pistas. Um episódio ainda mais grave ocorreu em 1999, quando cerca de 160 veículos, incluindo três ônibus, ficaram submersos. Desde a década de 1980, diversas intervenções e obras de drenagem foram realizadas ou propostas para a região, como a recuperação e ampliação das galerias do córrego Moringuinho em 2006 e a construção de novas galerias em 2007. Mais recentemente, em maio de 2026, a Prefeitura divulgou uma proposta de intervenção no sistema de drenagem da região da Avenida Nove de Julho, visando mitigar os alagamentos que afetam o Centro, incluindo o Vale do Anhangabaú. Acesse a fonte original para mais detalhes.
Este cenário de recorrência de alagamentos e a intensidade dos temporais recentes reforçam a urgência de soluções eficazes e a adaptação da infraestrutura urbana às mudanças climáticas. Para acompanhar de perto os desdobramentos deste e de outros temas relevantes para a sua cidade e o país, continue conectado ao M1 Metrópole. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e que faz a diferença no seu dia a dia.