Uma recente manifestação do diretório do partido Novo no Paraná, liderado pelo ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, trouxe à tona uma fissura interna na sigla. A ala paranaense classificou como “precipitada” a divulgação de um vídeo em que o pré-candidato do partido à Presidência, Romeu Zema, ataca o senador Flávio Bolsonaro (PL) por um suposto pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A controvérsia surge em um momento delicado, onde Dallagnol busca consolidar sua pré-candidatura ao Senado no Paraná, em uma chapa que prevê aliança com o PL, partido de Flávio Bolsonaro. Essa articulação local, que inclui Sergio Moro (PL) como pré-candidato ao governo e Filipe Barros (PL) para a segunda vaga de senador, é diretamente impactada pela postura de Zema, que mira o mesmo eleitorado bolsonarista em sua corrida presidencial.
O epicentro da controvérsia: o caso Banco Master
O estopim para o embate foi a divulgação de áudios e mensagens que indicam que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações, inicialmente reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha, apontam que o ex-banqueiro teria chegado a desembolsar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”, um longa sobre o ex-presidente.
Um áudio datado de setembro de 2025 mostraria o senador do PL cobrando mais recursos de Vorcaro. A gravidade das acusações levou a um clamor por investigação e, consequentemente, à reação de figuras políticas que buscam se posicionar como defensores da ética e da transparência.
A reação de Zema e a repreensão interna
Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Romeu Zema não poupou críticas a Flávio Bolsonaro. O pré-candidato presidencial do Novo afirmou que o episódio representa “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. Zema foi enfático ao declarar: “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”.
Contudo, a veemência de Zema não foi bem recebida por parte de seu próprio partido. A nota do diretório do Novo no Paraná, divulgada pela equipe de Deltan Dallagnol, criticou a ação do governador mineiro. O texto destacou que “a divulgação do vídeo pela equipe de comunicação de Zema foi precipitada e gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas. Posicionamentos públicos dessa natureza devem observar alinhamento prévio com a convenção nacional do partido — o que não ocorreu neste caso”.
Alianças políticas em xeque no Paraná
A tensão é particularmente sensível no Paraná, onde a construção de uma frente de oposição ao PT e à esquerda é prioritária para o grupo de Dallagnol. A nota do diretório paranaense fez questão de reafirmar a solidez da aliança local, apesar dos atritos nacionais. “A aliança entre PL e Novo no Paraná permanece sólida, fundamentada em diálogo, convergência de princípios e compromisso com resultados concretos para os paranaenses. Unidos pela oposição ao PT e ao ideário da esquerda, seguimos confiantes na força desse projeto para o estado”, dizia o comunicado.
Essa declaração evidencia a complexidade das articulações políticas, onde interesses estaduais e nacionais podem colidir. Enquanto Zema busca se firmar como uma alternativa “limpa” no cenário presidencial, a ala paranaense do Novo precisa manter pontes com o PL para viabilizar suas candidaturas locais, especialmente a de Deltan Dallagnol ao Senado.
O clamor por investigação e a CPI do Banco Master
Apesar das divergências táticas, o diretório do Novo no Paraná alinhou-se à demanda por transparência em relação ao caso Banco Master. A nota defendeu uma “investigação profunda e completa do caso Banco Master pelos órgãos competentes, com atuação firme dos mecanismos de fiscalização e controle” e solicitou a “instalação imediata da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do Banco Master”.
Essa postura busca conciliar a necessidade de manter as alianças com o compromisso com os princípios anticorrupção, bandeira histórica de figuras como Dallagnol. O episódio ressalta os desafios enfrentados por partidos e pré-candidatos na tentativa de equilibrar a construção de coalizões eleitorais com a manutenção de uma imagem de coerência ideológica e moral perante o eleitorado.
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