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PGR pede ao STF rejeição de revisão criminal da condenação de Bolsonaro

11.set.25/AFP
11.set.25/AFP

Manifestação da Procuradoria-Geral da República

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se oficialmente nesta terça-feira (16) pelo indeferimento do pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-mandatário busca anular a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão, imposta sob a acusação de tentativa de golpe de Estado. Para o chefe do Ministério Público Federal, a sentença proferida anteriormente baseou-se em um “vigoroso conjunto probatório” que não comporta questionamentos nesta fase processual.

Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet refutou a tese de que a condenação teria sido fruto de erro judiciário. O PGR argumentou que as ações atribuídas ao ex-presidente não configuram uma postura passiva, mas sim uma articulação deliberada para criar um ambiente favorável à violência e à ruptura da ordem democrática. O parecer destaca que o controle da máquina pública e a instrumentalização de recursos estatais foram utilizados para fomentar a radicalização política no país.

Argumentos da defesa e a posição do Ministério Público

A defesa de Jair Bolsonaro protocolou, no dia 8 de maio, um documento com 90 páginas sustentando a necessidade de reparação de um suposto erro judiciário. Os advogados buscam reverter a decisão da Primeira Turma do STF, que em 2025 consolidou a pena contra o ex-presidente. No entanto, a manifestação da PGR, composta por 159 páginas, rebate ponto a ponto as alegações da defesa, afirmando que não foram apresentados elementos inéditos que justifiquem a desconstrução da coisa julgada.

Gonet reforçou que a revisão criminal não atende aos requisitos legais necessários, como a descoberta de novas provas de inocência ou a comprovação de falsidade em documentos e depoimentos que fundamentaram a condenação. O procurador-geral reiterou que o ex-presidente agiu de forma sistemática, tanto durante o exercício do mandato quanto após a derrota nas urnas, para incitar a insurreição e desestabilizar as instituições nacionais.

Tramitação e expectativas no Supremo Tribunal Federal

O pedido de revisão criminal está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, integrante da Segunda Turma do STF. O colegiado é composto também pelos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux. A expectativa nos bastidores do tribunal é de que o relator adote uma postura cautelosa, analisando o extenso material entregue ao seu gabinete sem imprimir um ritmo acelerado ao processo.

Aliados de Bolsonaro, sob reserva, estimam que o trâmite do recurso possa levar de um a dois anos, seguindo um rito semelhante ao de uma ação penal comum. Após a manifestação do Ministério Público, o processo entra em uma fase de instrução para verificar a necessidade de produção de novas provas antes de seguir para o julgamento definitivo pelo colegiado. O caso permanece como um dos pontos de maior atenção no cenário jurídico e político de Brasília.

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