PUBLICIDADE

Brasil e África do Sul: laços profundos que superam as cores do futebol

© Reuters/Henry Romero/Arquivo/Proibida reprodução
© Reuters/Henry Romero/Arquivo/Proibida reprodução

A recente estreia da África do Sul na Copa do Mundo de 2026, em uma partida contra o México, na Cidade do México, trouxe à tona não apenas a paixão pelo futebol, mas também as notáveis semelhanças que unem este país africano ao Brasil. Ambos os países, que compartilham as cores verde e amarelo em seus uniformes de seleção, exibem uma profunda sintonia que transcende o esporte, abrangendo aspectos socioeconômicos, políticos e diplomáticos.

A participação dos “Bafana Bafana” no Mundial, sediado por México, Canadá e Estados Unidos, é um marco. O ex-técnico Joel Santana, que comandou a seleção sul-africana entre 2008 e 2009, destaca o crescente nível técnico da equipe. “Depois que nós, brasileiros, fomos lá, o nível do futebol deles tem subido gradativamente”, afirmou Joel à Agência Brasil, demonstrando otimismo ao apostar na seleção até o final do torneio.

Além do campo: a sintonia em cores e valores

As cores dos uniformes são apenas a ponta do iceberg. Brasil e África do Sul, nações emergentes com desafios e aspirações semelhantes, compartilham características socioeconômicas e políticas que os aproximam. Ambos defendem posições convergentes no cenário internacional, especialmente na busca pela paz e pelo multilateralismo, refletindo suas realidades como países em desenvolvimento.

Essa afinidade se manifesta em pautas como a redução das desigualdades, a promoção do desenvolvimento sustentável e a defesa da soberania nacional. A experiência histórica de ambos os países, marcada por lutas sociais e a construção de democracias vibrantes, fortalece a base para uma parceria estratégica e duradoura.

Fortalecendo laços: a agenda de cooperação bilateral

A cooperação entre Brasil e África do Sul é uma prioridade para ambos os governos. Em março de 2026, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, esteve em Brasília para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde expressou o desejo de ampliar as relações com a América Latina, começando pelo Brasil.

Ramaphosa enfatizou a importância de uma colaboração em um nível muito mais elevado, considerando que são as duas nações mais industrializadas em seus respectivos continentes. A meta é ambiciosa: elevar o intercâmbio comercial anual, estagnado em US$ 2,3 bilhões há quase duas décadas, para US$ 10 bilhões. Lula reforçou que não há justificativa política para que o comércio não atinja esse patamar.

A agenda de cooperação abrange setores estratégicos como agricultura e pecuária, energia, mineração e defesa. Recentemente, os países firmaram acordos para reforçar o turismo, buscando aumentar a conectividade aérea e promover destinos. Parcerias técnicas em agropecuária também foram estabelecidas, com foco no enfrentamento da febre aftosa e no aprimoramento das medidas de vigilância sanitária animal. Atualmente, o Brasil exporta principalmente carnes de aves, açúcar e veículos rodoviários para a África do Sul, enquanto importa prata, platina e outros minerais.

Legado e diplomacia: a voz da África do Sul no cenário global

A África do Sul possui uma autoridade moral inquestionável no cenário internacional, forjada em sua luta contra o apartheid, um regime de segregação racial que durou 50 anos. Essa experiência confere ao país uma voz poderosa na condenação de violações de direitos humanos e na defesa da paz, como demonstrado em seu posicionamento sobre os conflitos no Oriente Médio.

O presidente Ramaphosa endossou a postura brasileira por uma solução pacífica, criticando as agressões que violam a Carta das Nações Unidas. Especialistas, como o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia (INCT), William Gonçalves, destacam que a superação do apartheid sem uma guerra civil confere à África do Sul a legitimidade para denunciar crimes de guerra e genocídios, como os relatados em Gaza e no Líbano.

Em 2015, a África do Sul desempenhou um papel crucial na aprovação das Regras Nelson Mandela pela ONU, um conjunto de normas que proíbe a tortura no sistema penal e assegura julgamentos justos. Essa iniciativa é um reflexo direto do legado de Nelson Mandela, ex-presidente e ícone da luta anti-apartheid, que enfrentou a privação de um julgamento justo, assim como centenas de palestinos detidos em prisões israelenses, segundo denúncias de entidades de direitos humanos. É importante lembrar que, nos anos 1970, o Brasil, sob pressão do movimento negro e de países africanos, congelou relações diplomáticas e comerciais com Pretória, contribuindo para a pressão internacional pelo fim do apartheid.

Trajetória de superação e o futuro da parceria

Após o fim do apartheid e a transição para a democracia nos anos 1990, sob a liderança de Nelson Mandela, a África do Sul experimentou um período de transformações significativas. O país registrou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), queda do desemprego e da inflação, e melhorias nos sistemas de educação e saúde, embora as desigualdades sociais ainda persistam como um desafio.

Como a principal economia do continente africano, a África do Sul reafirmou sua importância global e, a partir dos anos 2000, estreitou novamente seus laços com o Brasil. Essa reaproximação não se restringe apenas a objetivos econômicos, mas também a uma visão compartilhada de um mundo mais justo e equitativo, onde a cooperação Sul-Sul desempenha um papel fundamental.

Acompanhe o M1 Metrópole para se manter informado sobre as relações internacionais, economia e os desdobramentos da Copa do Mundo de 2026. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, com a profundidade que você merece.

Leia mais

PUBLICIDADE