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OMS alerta para cepa Andes de hantavírus em cruzeiro com transmissão entre humanos

13.mai.26/AFP
13.mai.26/AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a detecção de oito casos da cepa Andes do hantavírus entre passageiros e tripulantes de um cruzeiro. A notícia, divulgada nesta quarta-feira (13), acende um alerta global devido à particularidade dessa variante, que é a única conhecida por ter capacidade de transmissão entre seres humanos e apresenta uma alta taxa de letalidade nas Américas.

O surto, que ocorreu a bordo do navio MV Hondius, resultou em um total de 11 pessoas infectadas até o momento, com três óbitos registrados. A situação mobiliza autoridades de saúde internacionais e locais na busca pela origem e contenção da doença, que não possui vacina nem tratamento específico.

A ameaça da cepa Andes e sua transmissão

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores, que liberam o patógeno através de sua urina, fezes e saliva. A infecção em humanos geralmente ocorre pela inalação de aerossóis contaminados ou pelo contato direto com secreções de roedores infectados. No entanto, a cepa Andes se distingue por uma característica preocupante: a capacidade de passar de uma pessoa para outra, o que aumenta significativamente o risco de surtos e dificulta o controle.

Essa transmissão interpessoal é um fator crucial para a saúde pública, pois a maioria das outras cepas de hantavírus não possui essa particularidade. A alta letalidade da cepa Andes, que pode causar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), é outro ponto de atenção. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma gripe comum, como febre, dores musculares e dor de cabeça, mas podem evoluir rapidamente para problemas respiratórios graves e falência de órgãos.

Detalhes do surto no MV Hondius

Dos 11 casos notificados pela OMS, oito foram confirmados laboratorialmente como infecção pela cepa Andes. Dois outros são considerados prováveis, e um caso, de uma pessoa dos Estados Unidos que atualmente está assintomática, permanece inconclusivo e aguarda análises complementares. Entre as três vítimas fatais, duas tiveram a infecção pela cepa Andes confirmada, e a terceira é classificada como um caso provável.

A taxa de letalidade observada neste surto específico atingiu 27%, um índice que sublinha a gravidade da doença. Todos os indivíduos afetados estavam a bordo do cruzeiro MV Hondius, o que direciona as investigações para o ambiente da embarcação e os locais visitados antes e durante a viagem.

Investigações em curso e a busca pela origem

A origem exata do surto de hantavírus ainda é desconhecida e está sob investigação. A OMS informou que o primeiro contágio ocorreu antes do início do cruzeiro, que partiu em 1º de abril. O primeiro passageiro a falecer, um holandês de 70 anos, começou a apresentar sintomas em 6 de abril, o que, considerando o período de incubação do vírus (que varia de uma a seis semanas), indica que a exposição inicial ocorreu dias ou semanas antes de ele embarcar.

As autoridades de saúde estão colaborando com a Argentina e o Chile para esclarecer as circunstâncias da exposição e a fonte do surto. O primeiro paciente que morreu havia passado pouco mais de 48 horas em Ushuaia, na Terra do Fogo, antes de embarcar. Contudo, as autoridades locais consideram “praticamente nula” a possibilidade de que o contágio tenha ocorrido na cidade, o que amplia o leque das investigações para outras áreas ou momentos da viagem.

Impacto e perspectivas de saúde pública

Apesar da gravidade dos casos confirmados, a OMS mantém sua avaliação de risco como “moderado” para a saúde dos passageiros e da tripulação do navio, e “baixo” para o restante da população mundial. Essa classificação reflete a natureza localizada do surto até o momento e os esforços de contenção e monitoramento que estão sendo implementados.

No entanto, a confirmação de uma cepa com transmissão entre humanos em um ambiente como um cruzeiro, que reúne pessoas de diversas nacionalidades, reforça a importância da vigilância epidemiológica global e da rápida resposta em casos de doenças infecciosas. A ausência de vacina ou tratamento específico para o hantavírus torna a prevenção e o controle da transmissão ainda mais críticos, especialmente para a cepa Andes, que representa um desafio adicional para a saúde pública.

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