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Servidor da prefeitura de São Paulo atuava em pré-campanha da primeira-dama e é exonerado

Reprodução Instagram
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A transparência na gestão pública e a fiscalização sobre o uso de recursos e pessoal em períodos pré-eleitorais são temas de constante debate. Em São Paulo, um caso recente trouxe à tona questionamentos sobre a conduta de um servidor comissionado da prefeitura, que foi flagrado atuando em atividades de pré-campanha para a primeira-dama Regina Nunes, esposa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e pré-candidata a deputada estadual. A situação culminou na exoneração do funcionário, levantando discussões sobre a ética no serviço público e os limites da participação de agentes estatais em pleitos eleitorais.

O episódio, revelado por uma investigação jornalística, destaca a complexidade das relações entre o poder público e as movimentações políticas, especialmente quando envolvem figuras ligadas à administração municipal. A atuação do servidor, que deveria dedicar-se integralmente às suas funções na Secretaria Municipal de Direitos Humanos, gerou uma série de questionamentos sobre a legalidade e a moralidade de suas atividades paralelas.

A denúncia e a rápida exoneração do servidor

Breno de Souza Santos, nomeado em julho de 2025 como assessor na Secretaria Municipal de Direitos Humanos, recebia um salário de R$ 5.637 mensais para cumprir uma jornada de 40 horas semanais. No entanto, a reportagem da Folha de S.Paulo acompanhou as redes sociais de Breno e constatou que ele vinha atuando como “videomaker” para Regina Nunes, produzindo conteúdo para as plataformas digitais da pré-candidata durante o horário de expediente.

Após o questionamento da equipe de reportagem à assessoria de comunicação da prefeitura na terça-feira (12), a exoneração de Breno de Souza Santos foi publicada no Diário Oficial do município já na quarta-feira (13). Embora a gestão municipal tenha informado que o servidor havia solicitado sua saída no dia 7, com efeito a partir de segunda-feira (11), as evidências coletadas indicam que ele continuou prestando serviços à pré-campanha mesmo nos dias em que ainda constava como funcionário ativo da secretaria.

Evidências de atuação na pré-campanha

Os registros obtidos pela investigação jornalística são claros. As publicações de Breno em seus stories do Instagram, que desaparecem após 24 horas, mostravam seu cotidiano acompanhando Regina Nunes em diversas agendas ao longo do dia. Mais do que isso, vídeos públicos nas redes sociais da primeira-dama e de seus aliados confirmam a presença e atuação de Breno em eventos de pré-campanha nos últimos meses.

Em 4 de abril, por exemplo, um vídeo publicado por uma funcionária da prefeitura mostrava Breno filmando Regina Nunes durante um evento de distribuição de ovos de Páscoa. Quatro semanas antes, em uma transmissão ao vivo da mesma funcionária, o servidor também aparecia registrando os passos da primeira-dama. Sua presença foi notada ainda em uma comemoração da torcida Gaviões da Fiel, em 10 de fevereiro, sempre em torno da pré-candidata.

A dedicação de Breno à pré-campanha se estendeu a compromissos mais estratégicos. No dia 4 de abril, ele participou de uma reunião com integrantes da equipe de Regina Nunes. No dia seguinte, 5 de abril, esteve gravando conteúdo com a primeira-dama em um abrigo de animais em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo. A defesa dos animais é, inclusive, um dos motes centrais da pré-campanha de Regina Nunes, reforçando a natureza política de sua atuação.

A defesa da prefeitura e os pontos de controvérsia

Em resposta às acusações, a Prefeitura de São Paulo, por meio de nota, defendeu que Breno de Souza Santos “exerceu as atividades de sua atribuição, atuando em trabalhos externos e internos de edição de vídeos, publicações em redes sociais e demais atividades do setor de comunicação da pasta”. A gestão municipal negou veementemente que o servidor tenha prestado serviços para a primeira-dama enquanto esteve lotado na secretaria.

No entanto, a documentação interna da prefeitura, que indica o pedido de exoneração de Breno no dia 7, com efeito a partir do dia 11, contrasta com os registros das redes sociais. A reportagem da Folha de S.Paulo apontou que o servidor trabalhou para a pré-campanha todos os dias da semana anterior à publicação de sua exoneração, período em que, oficialmente, ainda era funcionário da Secretaria Municipal de Direitos Humanos. Essa discrepância levanta sérias dúvidas sobre a veracidade da defesa apresentada pela administração municipal e a efetiva fiscalização sobre seus quadros.

Implicações éticas e o cenário eleitoral

O caso de Breno de Souza Santos e Regina Nunes não é isolado e reflete um desafio recorrente na política brasileira: a tênue linha entre a atuação institucional e a promoção pessoal ou eleitoral. O uso de um servidor público, pago com recursos dos contribuintes, para fins de pré-campanha levanta questões graves sobre improbidade administrativa e o desvio de finalidade do cargo público. A legislação eleitoral e as normas de conduta da administração pública visam coibir tais práticas, garantindo a isonomia entre os candidatos e a integridade do processo democrático.

Para o eleitor, a transparência nessas situações é fundamental. A clareza sobre como os recursos públicos são empregados e a distinção entre as funções de um agente público e as atividades de campanha são pilares para a construção de uma relação de confiança entre governantes e governados. Em um ano de pré-campanha, com as eleições se aproximando, a atenção a esses detalhes se torna ainda mais crítica, influenciando a percepção pública sobre a seriedade e a lisura dos envolvidos.

Acompanhar de perto esses desdobramentos é essencial para entender os rumos da política local e nacional. O M1 Metrópole segue comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma leitura aprofundada dos fatos que impactam a sociedade. Continue conosco para se manter bem informado sobre este e outros temas de grande importância.

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