O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitou nesta quarta-feira (13) os moradores do Jaguaré, na Zona Oeste da capital, atingidos pela grave explosão ocorrida após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. Em coletiva de imprensa, o governador foi enfático ao afirmar que o governo estadual responsabilizará as duas concessionárias pelo acidente, prometendo a aplicação rigorosa de sanções previstas em contrato.
A tragédia, que aconteceu na segunda-feira (11), resultou na morte de Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, e deixou outras três pessoas feridas, além de causar destruição em dezenas de imóveis. A postura firme do governo busca garantir justiça e reparação às vítimas, enquanto a comunidade tenta se reerguer dos escombros.
Consequências da Tragédia e Resposta Governamental
A explosão, ocorrida na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, deixou um rastro de destruição e desespero. Imóveis foram completamente danificados, e relatos de moradores descrevem janelas estilhaçadas e o forte impacto da onda de choque. Diante da gravidade do cenário, o governo de São Paulo agiu rapidamente para anunciar um plano de atendimento habitacional emergencial.
Durante a visita, Tarcísio de Freitas informou que quatro construtoras foram contratadas para iniciar imediatamente os trabalhos de reparo. Serão recuperadas 85 casas com danos leves e outras 15 residências que sofreram avarias severas. Contudo, cinco imóveis precisarão ser demolidos, alguns deles abrigando mais de uma família, o que agrava a situação de cerca de 20 famílias que necessitam de moradia emergencial.
Assistência Emergencial e Opções de Moradia
Para mitigar o impacto inicial, o número de famílias afetadas que receberá o auxílio emergencial da Sabesp e da Comgás foi ampliado para 232. Todas devem receber um PIX de R$ 5 mil até o fim do dia, um valor que foi ajustado após um auxílio inicial de R$ 2 mil ser complementado com mais R$ 3 mil. A diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, Samantha Souza, garantiu que as equipes estão empenhadas para que todas as famílias cadastradas recebam os valores prontamente.
É importante ressaltar que este auxílio emergencial não substitui o ressarcimento integral pelos danos. As concessionárias serão responsáveis por custear as reformas e indenizações materiais das residências atingidas. Além disso, as famílias terão diversas opções de moradia, incluindo a possibilidade de visitar apartamentos prontos da CDHU, que serão entregues mobiliados, com os custos arcados por Sabesp e Comgás. A escolha, no entanto, dependerá da concordância dos moradores, que poderão optar por permanecer no Jaguaré, receber uma carta de crédito habitacional entre R$ 250 mil e R$ 300 mil para a compra de outro imóvel, ou optar por auxílio-aluguel.
A Situação dos Imóveis e a Investigação em Andamento
A Defesa Civil realizou vistorias em 105 imóveis desde o acidente. Desse total, 86 residências foram liberadas, permitindo o retorno das famílias. No entanto, 14 imóveis permanecem interditados cautelarmente devido a danos estruturais que exigem reformas, e os cinco imóveis mais afetados foram interditados definitivamente para demolição. O tenente Maxwell Souza, da Defesa Civil, destacou a força-tarefa montada para analisar os riscos estruturais.
Paralelamente, equipes da Comgás e Sabesp trabalham para restabelecer o fornecimento de gás na região. Enquanto o Condomínio Butantã já teve seu serviço normalizado, o Condomínio Jaguaré, com cinco torres e cerca de 350 apartamentos, ainda está em processo de religação. O diretor institucional e regulatório da Comgás, Bruno Dalcomo, assegurou que as pessoas terão diárias de hotel pelo tempo necessário até que uma moradia permanente ou provisória seja estabelecida.
A Responsabilização das Concessionárias e o Contexto
A fala de Tarcísio de Freitas sobre a “mão pesada do Estado” e a punição rigorosa das concessionárias reflete a seriedade com que o governo encara o incidente. O coronel Élço Moreira da Silva Júnior, responsável pela interlocução entre as secretarias estaduais, reiterou que todas as indenizações e reconstruções serão de responsabilidade das concessionárias. Este posicionamento ganha ainda mais relevância em um contexto onde a privatização de empresas como a Sabesp gera debates sobre a fiscalização e a segurança das operações. O próprio governador já havia expressado que obras da Sabesp privatizada “tiram o sono”, indicando uma preocupação latente com a qualidade e supervisão dos serviços.
A investigação das causas do acidente está a cargo da Polícia Civil, do Instituto de Criminalística e da Arsesp, que buscarão determinar as responsabilidades e evitar que tragédias como esta se repitam. O caso do Jaguaré, embora grave, remete a outros acidentes históricos em São Paulo, como a explosão em um shopping de Osasco há 30 anos, que deixou 42 mortos e 300 feridos, sublinhando a importância de rigor na segurança de infraestruturas urbanas.
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