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Geração Z e Y ressignificam o crochê como refúgio contra o excesso de telas

Adriano Vizoni/Folhapress
Adriano Vizoni/Folhapress

A nova era do artesanato: do hábito ancestral à expressão contemporânea

A imagem clássica de uma poltrona ocupada por uma avó entre novelos de lã e agulhas de tricô está sendo substituída por uma nova realidade. As gerações Y e Z têm ressignificado o crochê, transformando a técnica tradicional em uma forma de expressão artística, carreira profissional e, sobretudo, um refúgio necessário em tempos de hiperconectividade. O que antes era visto como um passatempo doméstico, hoje ganha as redes sociais e as passarelas com peças exclusivas e autorais.

Para muitos jovens, o contato com o crochê começou na infância, por meio da observação de familiares. Nomes como Juliana Perezino, Marie Castro e Junior Silva, o Junior Crocheteiro, exemplificam essa transição. O que começou como uma curiosidade herdada de avós e tias evoluiu para projetos de vida, onde a habilidade manual se tornou o pilar central de suas trajetórias profissionais, sem perder a essência terapêutica que o ato de tecer proporciona.

Entre o empreendedorismo e a busca por autonomia

A trajetória de Juliana Perezino, 29, ilustra bem essa mudança de paradigma. Após cursar arquitetura, ela decidiu apostar no crochê como atividade principal. Ao se mudar para São Paulo, transformou sua produção em um negócio digital, focando na criação de tutoriais para outros entusiastas. Para ela, o crochê funciona como um antídoto contra o bombardeio de informações diário, oferecendo uma pausa necessária diante do excesso de estímulos digitais.

Marie Castro, 37, encontrou no artesanato uma forma de exercer autonomia. Ao vencer um concurso de moda, ela percebeu que o processo de materializar ideias através das mãos trazia uma sensação de concretude que o mundo virtual raramente oferece. O mesmo ocorre com Junior Silva, 21, que desde os 15 anos utiliza as redes sociais para desmistificar o preconceito de gênero no artesanato, provando que a técnica é uma linguagem universal de criação.

O crochê como resistência e saúde mental

A ascensão das artes manuais não é apenas uma tendência estética, mas um movimento de comportamento analisado por especialistas. Edilma Salamanca, professora de moda da FAAP, aponta que o fenômeno reflete uma necessidade visceral de desconexão. Em um mercado saturado pelo imediatismo, o toque físico e a criação manual surgem como um ato de resistência contra um ambiente de trabalho muitas vezes adoecedor.

Do ponto de vista psicológico, a prática é vista como uma ferramenta de reconexão. O professor Claudinei Affonso, da PUC, explica que, embora o crochê não substitua o tratamento clínico, ele atua como um recurso valioso para a saúde mental. A atividade exige foco e presença, combatendo a fragmentação da atenção causada pelo uso constante de telas e permitindo que o indivíduo se volte para si mesmo em um momento de pausa produtiva.

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O resgate de práticas manuais revela muito sobre as transformações sociais que vivemos. O M1 Metrópole segue acompanhando as tendências que moldam o comportamento, a cultura e o mercado de trabalho, trazendo sempre um olhar contextualizado sobre os fatos que impactam o seu dia a dia. Continue conosco para se manter informado com conteúdos aprofundados e uma curadoria atenta aos temas que realmente importam.

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