A urgência da corresponsabilidade na pauta antirracista
A fundadora e CEO do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), Luana Génot, foi a convidada central do programa Roda Viva desta segunda-feira (11). Em uma edição que antecede o 13 de maio, data que marca os 138 anos da assinatura da Lei Áurea, a ativista trouxe para o centro do debate a necessidade de transformar o discurso sobre igualdade racial em ações práticas e coletivas dentro das esferas corporativas e sociais.
Ao ser questionada pelo apresentador Ernesto Paglia sobre a postura de empresas diante de crises de imagem envolvendo episódios de racismo, Génot foi enfática. Segundo ela, a estratégia de reconhecer a existência do racismo estrutural não deve ser apenas uma medida de gestão de crise, mas um compromisso ético contínuo. A convidada defendeu que o conceito de “aliado” deve evoluir para o de “corresponsável”.
Empresas como reflexo da sociedade
Para a CEO do ID_BR, a ideia de que instituições são entidades abstratas é um equívoco que impede o avanço das políticas de inclusão. Luana Génot argumentou que uma empresa é, fundamentalmente, um conjunto de pessoas físicas. Portanto, a responsabilidade pela construção de um ambiente de trabalho mais equitativo recai sobre cada indivíduo que compõe essas organizações.
“A gente não está falando aqui de uma sobreposição de poderes ou de uma luta que precise partir apenas de uma parcela da população. A gente precisa falar sobre corresponsabilidade”, afirmou durante a entrevista. A visão da especialista reforça que a pauta antirracista não é um tema isolado, mas um pilar essencial para a produtividade e a saúde do mercado de trabalho brasileiro.
Contexto histórico e o papel do ID_BR
O debate no Roda Viva ocorre em um momento de reflexão nacional sobre os legados da escravidão e os desafios contemporâneos para a equidade. O Instituto Identidades do Brasil, organização sem fins lucrativos liderada por Génot, atua justamente na aceleração da igualdade racial, prestando consultoria e suporte para que empresas e governos implementem mudanças estruturais em suas políticas internas.
A bancada de entrevistadores, composta por nomes como Halitane Rocha, Natália Neris Perenha, Leila Souza Lima, Juca Guimarães, Maurício Pestana e Mariana Agunzi, explorou os caminhos para que essas mudanças saiam do campo das intenções. A discussão destacou que, mesmo décadas após a abolição formal, o racismo estrutural continua a ser o maior entrave para a mobilidade social e profissional de negros e indígenas no país.
Acompanhe o M1 Metrópole
O Roda Viva, sob o comando de Ernesto Paglia, segue como um espaço fundamental para a análise de temas que definem os rumos da sociedade brasileira. Para continuar bem informado sobre os principais debates políticos, culturais e sociais que movimentam o país, acompanhe diariamente o portal M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com credibilidade e o contexto necessário para entender os fatos que moldam o nosso presente.
Para mais informações sobre o cenário nacional, acesse o site oficial da TV Cultura e confira a íntegra das entrevistas e análises do programa.