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Pesquisa da Ufscar associa gordura visceral a maior risco de incontinência urinária em mulheres

01.ago.22/Adobe Stock
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Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da Fapesp, trouxe à tona uma importante conexão entre o acúmulo de gordura na região abdominal, em especial a gordura visceral, e o aumento do risco de incontinência urinária de esforço em mulheres. A pesquisa, que teve seus resultados publicados no prestigiado European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, aponta que a distribuição da gordura no corpo pode ser um fator mais decisivo do que o peso total para o desenvolvimento dessa condição.

A descoberta desafia a percepção comum de que a incontinência urinária seria um problema exclusivo do envelhecimento, revelando que mulheres jovens também são afetadas. Os achados sublinham a necessidade de uma compreensão mais aprofundada sobre os mecanismos por trás da perda involuntária de urina e a importância de intervenções preventivas e terapêuticas focadas na saúde do assoalho pélvico e na gestão da composição corporal.

Gordura abdominal e a sobrecarga no assoalho pélvico

A incontinência urinária de esforço manifesta-se pela perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal, como tossir, rir, levantar peso ou praticar exercícios físicos. Segundo Patricia Driusso, professora de Fisioterapia em Saúde da Mulher da UFSCar e orientadora do estudo, essa perda ocorre quando o assoalho pélvico, musculatura responsável por sustentar os órgãos pélvicos e controlar a micção, não consegue conter a pressão.

A pesquisa avaliou 99 mulheres entre 18 e 49 anos na cidade de São Carlos, interior de São Paulo. Os resultados indicaram que cerca de 39,4% das participantes relataram episódios de perda urinária, um número que se alinha às estimativas internacionais. O dado ressalta a prevalência da condição e a frequente subnotificação, já que muitas mulheres tendem a normalizar pequenos escapes, sem buscar ajuda profissional.

A relevância da gordura visceral: um fator determinante

O ponto mais significativo do estudo foi a identificação da gordura visceral como o fator mais fortemente associado à incontinência urinária de esforço. A presença desse tipo de adiposidade, que se deposita entre os órgãos abdominais, elevou em aproximadamente 51% a probabilidade de desenvolver a condição. Esse achado surpreendeu os pesquisadores, que inicialmente supunham que a gordura ginoide (na região dos quadris e coxas), por sua proximidade com o assoalho pélvico, teria maior influência.

A fisioterapeuta Ana Jéssica dos Santos Sousa, primeira autora do artigo, conduziu a investigação em parceria com a Western Michigan University, nos Estados Unidos. A metodologia incluiu o exame DXA, considerado padrão-ouro para análise da composição corporal, que permite medir não apenas a quantidade total de gordura, mas também sua distribuição detalhada em diferentes regiões do corpo, além de questionários validados para avaliar a presença e o impacto da incontinência na qualidade de vida das participantes.

Mecanismos por trás da ligação entre gordura e incontinência

A professora Driusso explica que a relação entre a gordura visceral e a incontinência urinária pode ser compreendida por dois mecanismos principais. O primeiro é de natureza mecânica: o acúmulo de gordura visceral aumenta a pressão dentro da cavidade abdominal, sobrecarregando constantemente o assoalho pélvico. Com o tempo, essa musculatura pode se fadigar e perder sua eficácia, comprometendo a capacidade de continência.

O segundo mecanismo é metabólico. A gordura visceral não é apenas um reservatório de energia; ela é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que circulam pelo organismo. Essa inflamação crônica de baixo grau pode afetar a qualidade muscular, incluindo a dos músculos do assoalho pélvico, reduzindo sua capacidade de contração e, consequentemente, sua função de suporte e controle. A obesidade, em geral, já é um fator de risco conhecido para a incontinência urinária, ao lado de outros como o envelhecimento, a menopausa, o número de gestações e certas condições de parto, como a episiotomia.

Implicações e a importância da conscientização

Os resultados do estudo reforçam a necessidade de abordar a obesidade e a distribuição de gordura corporal como fatores cruciais na prevenção e tratamento da incontinência urinária em mulheres de todas as idades. A pesquisa da UFSCar destaca que a saúde do assoalho pélvico deve ser uma preocupação contínua, com a prática de exercícios específicos e a busca por orientação profissional para fortalecer essa musculatura vital.

É fundamental que as mulheres não normalizem a perda urinária e procurem avaliação médica ao primeiro sinal, a fim de obter um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado. A conscientização sobre os riscos associados à gordura visceral e a promoção de hábitos de vida saudáveis, incluindo alimentação equilibrada e atividade física regular, são passos essenciais para mitigar a incidência e o impacto dessa condição na qualidade de vida feminina. Para mais informações sobre saúde e bem-estar, acesse o portal da Fapesp, que apoia pesquisas relevantes como esta.

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