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Museu do Zebu em Uberaba: uma viagem pela pecuária e as memórias ferroviárias

Museu do Zebu em Uberaba: uma viagem pela pecuária e as memórias ferroviárias

Em meio ao vibrante cenário do agronegócio brasileiro, o Museu do Zebu, localizado no Parque Fernando Costa em Uberaba, no Triângulo Mineiro, se destaca como um guardião de histórias que transcendem a pecuária. Mais do que um acervo sobre o desenvolvimento das raças zebuínas no país, o espaço oferece uma imersão nas memórias da extinta Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, revelando a intrínseca conexão entre o transporte sobre trilhos e a expansão da criação de gado no interior do Brasil.

O museu, mantido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), apresenta um rico panorama com fotos históricas e textos de jornais centenários, detalhando as viagens de bovinos que moldaram a economia e a cultura da região. Essa fusão de narrativas sublinha a importância da infraestrutura ferroviária para o pioneirismo dos pecuaristas e a consolidação de Uberaba como um polo zebuíno.

A expansão da Companhia Mogiana e sua chegada a Uberaba

A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, fundada em São Paulo em 1872, rapidamente se tornou um pilar do desenvolvimento regional. Embora seu traçado inicial conectasse Campinas a Mogi Mirim, a visão de expansão da empresa ia muito além das fronteiras paulistas. Em apenas 17 anos após a inauguração do trecho pioneiro, os trilhos da Mogiana alcançaram Uberaba, marcando um ponto crucial na logística de transporte de mercadorias e, especialmente, de gado.

A estação da Mogiana em Uberaba foi oficialmente inaugurada em 23 de abril de 1889, integrando a estratégica Linha do Catalão. A ambição da companhia era notável: a linha se estendeu até Uberlândia em 1895 e, no ano seguinte, em 1896, chegou a Araguari. Apesar dos planos de alcançar a cidade de Catalão, hoje a 211 quilômetros de distância por rodovia, esse objetivo nunca se concretizou, deixando um legado de infraestrutura que, em parte, resiste ao tempo.

Desafios e o legado das ferrovias para a pecuária

O acervo do Museu do Zebu ilustra vividamente o pioneirismo dos pecuaristas de Uberaba, que empreendiam longas jornadas em busca de animais em outros estados e países. As ferrovias eram, muitas vezes, o único meio viável para o transporte desses valiosos rebanhos até as fazendas. No entanto, essa empreitada não era isenta de desafios, como evidenciam os registros históricos.

Um exemplo notável, publicado no jornal “O Paiz” em 24 de junho de 1907, narra uma incursão do capitão Joaquim Machado Borges, um pecuarista uberabense, ao Rio de Janeiro para adquirir zebus puro-sangue. A reportagem descreve a chegada tardia do trem à estação da Companhia Mogyana (com a grafia da época), um atraso de 40 minutos que desencadeou uma série de problemas. O desembarque, realizado à noite e de forma desastrosa, resultou na morte de dois zebus e na quase inutilização de outros dois, além da fuga dos restantes. Esse episódio ressalta as dificuldades logísticas e os riscos inerentes ao transporte de animais por ferrovia na virada do século XX.

O declínio e a memória das estações abandonadas

A Linha do Catalão, que servia Uberaba, era uma continuação da Linha do Rio Grande, conectando Ribeirão Preto à divisa com Minas Gerais. Contudo, o tempo trouxe mudanças significativas para essa malha ferroviária. Das 19 estações que compunham a rota do Rio Grande, 11 foram abandonadas, demolidas ou permanecem fechadas, testemunhando o declínio do transporte ferroviário de passageiros e cargas no interior do Brasil.

A estação Jaguara, em Sacramento (MG), inaugurada um ano antes da de Uberaba, possui uma história emblemática. Sua função como elo ferroviário entre São Paulo e Minas foi drasticamente alterada quando os trilhos ficaram submersos devido à construção da represa de Jaguara. A partir de então, a estação passou a atender apenas o trajeto entre Sacramento e Uberaba, mas o fluxo de passageiros diminuiu progressivamente até sua desativação em 1976. Essas histórias, preservadas no Museu do Zebu, oferecem uma reflexão sobre a evolução dos transportes e a resiliência da memória histórica.

O Museu do Zebu, portanto, não é apenas um tributo à pecuária, mas um portal para um passado onde o apito do trem e o mugido do gado se entrelaçavam na construção de uma identidade regional. É um convite à compreensão de como a infraestrutura e a visão empreendedora moldaram o Brasil que conhecemos.

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