O Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, promove nesta terça-feira (5), às 19h, uma sessão especial do longa-metragem A Única Saída. A obra, dirigida pelo aclamado cineasta sul-coreano Park Chan-wook, oferece um olhar incisivo e perturbador sobre as engrenagens do sistema capitalista e os limites da sobrevivência em uma sociedade marcada pela competitividade extrema.
capitalismo: cenário e impactos
A exibição faz parte do prestigiado Ciclo de Cinema e Psicanálise, uma iniciativa que une a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e o MIS, contando com o apoio da Folha. Após a projeção, o público poderá acompanhar um debate sobre os temas centrais do filme, que contará com a participação da psiquiatra e psicanalista Adriana Rapeli e da repórter da Ilustrada Alessandra Monterastelli, sob a mediação da psicanalista Luciana Saddi.
A trama: desespero e radicalidade no mercado de trabalho
O enredo acompanha a trajetória de Man-su, interpretado pelo ator Lee Byung-hun — conhecido mundialmente por sua atuação em Round 6. O personagem dedica 25 anos de sua vida a uma única empresa, acreditando que a lealdade e o trabalho árduo seriam suficientes para garantir a estabilidade e o bem-estar de sua família.
A narrativa sofre uma reviravolta drástica quando um grupo internacional adquire a companhia e promove uma demissão em massa. Subitamente desempregado e mergulhado em uma crise financeira profunda, Man-su vê seu mundo desmoronar. A pressão por segurança econômica o conduz a um caminho de violência extrema: para retomar seu lugar no mercado, ele decide eliminar fisicamente seus concorrentes, transformando a busca por emprego em uma caçada mortal.
O peso da cultura sul-coreana e o significado do lar
Embora o diretor Park Chan-wook ressalte que a premissa de A Única Saída possa ressoar em diversas culturas ao redor do mundo, o filme carrega marcas profundas da realidade sul-coreana. A obsessão pela aquisição da casa própria é um dos pilares que sustentam a angústia do protagonista.
Em entrevista, o cineasta explicou que, na Coreia do Sul, o aluguel é frequentemente associado a um estado de instabilidade permanente. A casa, portanto, deixa de ser apenas um bem material para se tornar um símbolo de identidade e proteção. A própria língua coreana reforça essa conexão, já que o termo jip pode ser traduzido tanto como lar quanto como família, elevando a moradia ao status de personagem central na trama.
Serviço e acesso ao debate
O evento é uma oportunidade para refletir sobre como as pressões do mercado globalizado afetam a saúde mental e as relações humanas. A exibição ocorre no auditório do MIS, localizado na avenida Europa, 158, no Jardim Europa.
Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados diretamente na bilheteria do museu com uma hora de antecedência. Para se manter informado sobre a agenda cultural e os desdobramentos de eventos como este, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer análises aprofundadas e um olhar atento sobre o que acontece na cena cultural e social do país.