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Estudo revela que 40% dos brasileiros não identificam mulheres em posições de poder

Paula Giolito/Folhapress
Paula Giolito/Folhapress

Uma pesquisa recente lançada pelo Estúdio Clarice aponta um cenário desafiador na percepção do poder feminino no Brasil: quatro em cada dez brasileiros não conseguem nomear uma mulher que esteja em posição de destaque ou influência. O levantamento, que entrevistou mais de duas mil pessoas, acende um alerta sobre a representatividade e o reconhecimento social das mulheres em espaços de comando, apesar de a maioria esmagadora da população compreender o significado de poder.

Os dados são parte da pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, uma iniciativa do Estúdio Clarice, organização dedicada a investigar e fomentar o poder feminino por meio de estudos e produções audiovisuais. O estudo, que ouviu 2.036 homens e mulheres em novembro de 2025, revela nuances importantes sobre como a sociedade brasileira enxerga a liderança feminina e os obstáculos enfrentados por elas.

A Percepção do Poder Feminino no Brasil

Curiosamente, a dificuldade em nomear mulheres poderosas não reside na compreensão do termo “poder”. A pesquisa mostra que 96% dos entrevistados conseguem descrever o que significa comandar ou estar em uma posição de influência. No entanto, quando solicitados a citar nomes, a lista é restrita e concentrada em poucas figuras públicas.

Entre as mulheres mais citadas, destacam-se a primeira-dama Janja, mencionada por 10,1% dos participantes, a ministra Cármen Lúcia, com 6,1% das menções, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, lembrada por 4,8%. Essa concentração em figuras políticas de alto perfil sugere que o imaginário de poder ainda está fortemente atrelado a cargos institucionais tradicionais, e menos a outras formas de liderança e influência que as mulheres exercem em diversas esferas da sociedade.

Desafios da Igualdade de Gênero e Autoconfiança

O levantamento do Estúdio Clarice também expõe uma disparidade significativa na percepção de igualdade de oportunidades entre os gêneros. Enquanto 68% dos homens acreditam que existem as mesmas oportunidades para todos, independentemente do gênero, apenas 53% das mulheres compartilham dessa visão. Essa diferença de 15 pontos percentuais sublinha uma lacuna na experiência e na percepção da realidade de gênero no país.

Além disso, o estudo revela que 34% dos homens e 21% das mulheres consideram que o lugar da mulher já é devidamente reconhecido na sociedade. Esses números indicam que, para uma parcela considerável da população feminina, o reconhecimento pleno ainda é uma meta a ser alcançada. Uma das barreiras mais evidentes identificadas é a falta de confiança: quase 30% das mulheres afirmam que a dúvida sobre a própria capacidade é o que mais gera sensação de impotência.

Comportamento e o Peso da Adaptação Social

A pesquisa aprofunda-se nos comportamentos que as mulheres adotam para serem levadas a sério em ambientes dominados por homens. Cerca de uma em cada três mulheres (33%) declara que precisa mudar seu tom de voz e até esconder parte de sua personalidade para se encaixar e ser respeitada profissionalmente. Essa necessidade de adaptação constante impõe um custo emocional e psicológico significativo, dificultando a autenticidade e a plena expressão de suas capacidades.

Um recorte racial adiciona outra camada a essa questão: 28% das entrevistadas brancas afirmaram cobrir partes do corpo para evitar julgamentos, enquanto entre as mulheres negras, esse número sobe para 39%. Essa diferença aponta para a interseccionalidade das opressões, onde mulheres negras enfrentam camadas adicionais de preconceito e escrutínio social, exigindo ainda mais adaptação e autocensura em seu dia a dia.

O Estúdio Clarice e a Busca por um Novo Imaginário

O lançamento da pesquisa ocorreu em 27 de abril, durante um evento no Rio de Janeiro, com a presença das fundadoras do Estúdio Clarice, Mariana Ribeiro e Beatriz Della Costa Pedreira. Segundo Beatriz, a dificuldade em nomear mulheres em posições de destaque vai além da mera representatividade; ela indica um problema mais profundo de reconhecimento social sobre o que, de fato, constitui o poder feminino. Acesse mais informações sobre o tema em fontes confiáveis.

“No fim, a gente descobre que estar no poder não é necessariamente ter poder. A Clarice nasce da pergunta: qual é o imaginário de poder das mulheres brasileiras?”, questiona Beatriz, ressaltando a missão da organização de desvendar e redefinir a percepção do poder feminino no país. A iniciativa busca não apenas identificar as lacunas, mas também fomentar um novo imaginário que valorize e reconheça a multiplicidade de formas de liderança e influência exercidas pelas mulheres.

O M1 Metrópole segue atento aos desdobramentos e discussões geradas por pesquisas como esta, que são fundamentais para compreendermos as dinâmicas sociais e avançarmos em direção a uma sociedade mais equitativa. Continue acompanhando nosso portal para ter acesso a informações relevantes, análises aprofundadas e as últimas notícias do Brasil e do mundo, sempre com o compromisso de oferecer conteúdo de qualidade e contextualizado.

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