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Estudo da Unesp aponta prejuízo auditivo e de linguagem em crianças com microcefalia por zika

Estudo da Unesp aponta prejuízo auditivo e de linguagem em crianças com microcefalia por zika
Lalo de Almeida - 22.nov.16/Folhapress

Pesquisa recente com participação de docentes da Unesp trouxe novos esclarecimentos sobre os impactos duradouros da síndrome congênita do zika, destacando danos significativos na percepção dos sons da fala e no desenvolvimento da linguagem em crianças com microcefalia. O estudo, conduzido pela professora Ana Cláudia Figueiredo Frizzo e publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, analisou os reflexos neurológicos e auditivos em pacientes afetados pela infecção durante a gestação das mães na crise sanitária que marcou o país.

A investigação científica reforça a necessidade de um olhar atento para os efeitos de longo prazo da epidemia que surpreendeu o Brasil. Com dados consolidados ao longo dos últimos anos, especialistas buscam compreender as múltiplas ramificações da condição neurológica para aprimorar os cuidados médicos e as diretrizes de apoio às famílias afetadas.

Metodologia e avaliação da resposta cerebral aos sons

O trabalho científico foi desenvolvido na região Nordeste do Brasil com a participação de vinte crianças. O grupo foi dividido entre dez crianças com microcefalia decorrente do vírus zika, sendo cinco meninos e cinco meninas com idade média de vinte e cinco meses, e um grupo controle com dez crianças típicas, composto por cinco meninos e cinco meninas com idade média de vinte e nove meses.

Para mensurar a atividade cerebral, os pesquisadores utilizaram testes de potenciais evocados auditivos que registraram a resposta do sistema nervoso central diante de estímulos acústicos naturais correspondentes às sílabas ‘ba’ e ‘da’. Os dados foram processados com o software Smart Tools EP, enquanto as funções auditivas e visuais ligadas à comunicação foram analisadas por meio da Escala de Marcos do Desenvolvimento da Linguagem Inicial, validando o padrão atípico no processamento dos sons da fala.

Impactos no desenvolvimento infantil e na comunicação

Os resultados apontaram que as consequências da infecção congênita ultrapassam as limitações motoras já conhecidas, atingindo de forma severa a capacidade de discriminação auditiva. A imaturidade e o padrão atípico identificados nos componentes neurológicos elevam o risco de que os pacientes apresentem dificuldades persistentes na interpretação de pistas acústicas essenciais para a comunicação diária.

Como a aquisição da linguagem depende tanto da integridade do sistema auditivo quanto da correta interpretação cerebral dos estímulos sonoros, o prejuízo constatado compromete diretamente as habilidades expressivas e receptivas. Os autores ressaltam que o padrão de desenvolvimento atípico comprova a correlação direta entre as alterações corticais e o déficit linguístico observado nas crianças avaliadas.

Desafios para as políticas públicas e intervenção precoce

Diante do cenário revelado pela investigação observacional, especialistas destacam a urgência de formular novas diretrizes para a saúde pública e protocolos específicos de atendimento para essa parcela da população. A ausência de suporte estruturado e de diretrizes padronizadas deixa famílias desamparadas diante dos desafios complexos do cuidado contínuo.

Embora a pesquisa tenha tido caráter estritamente observacional, os dados obtidos abrem caminho para estratégias de intervenção precoce, sobretudo na janela crítica de desenvolvimento infantil entre zero e vinte e quatro meses. Para mais informações e atualizações sobre saúde, ciência e cotidiano, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de referência em jornalismo contextualizado.

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