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Falsos médicos são denunciados pelo MP de SP por oito mortes em hospital da capital

Falsos médicos são denunciados pelo MP de SP por oito mortes em hospital da capital
Patrícia Pasquini - 26.mai.26/Folhapress

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) formalizou nesta quarta-feira (23) a denúncia contra Marcos Philipe de Barros e Mayke Cesar Silva, acusados de exercer ilegalmente a medicina e de estarem envolvidos na morte de oito pacientes em um hospital particular na zona leste da capital paulista. A ação do MP-SP intensifica as investigações que já se estendiam desde o ano passado, revelando um esquema de fraude que colocava em risco a vida de milhares de pessoas.

A gravidade do caso reside não apenas na prática ilegal da profissão, mas nas consequências fatais atribuídas à atuação dos denunciados. A apuração detalhada expôs como os dois indivíduos forjaram suas identidades médicas, utilizando registros profissionais de outros médicos que, segundo a investigação, não tinham conhecimento da fraude. Estima-se que cerca de 8.000 pacientes tenham sido atendidos por essa dupla de impostores, levantando sérias questões sobre a segurança e a fiscalização no setor de saúde.

A complexidade da fraude e a atuação dos acusados

A investigação revelou uma rede de disfarces e atuações clandestinas. Marcos Philipe de Barros, por exemplo, foi filmado por policiais civis aplicando tirzepatida em uma paciente e realizando consultas via telemedicina diretamente de sua residência, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Ele utilizava o nome de um profissional cuja assinatura no carimbo era “Nicolas J. D. M.”, de Marília.

Já Mayke Cesar Silva, segundo a apuração, se valia dos documentos de um homônimo de Catanduva. As autoridades esclareceram que os verdadeiros médicos, cujos registros foram fraudulentamente utilizados, são vítimas do esquema e não possuem qualquer ligação com os crimes investigados. Essa prática de uso indevido de credenciais sublinha a sofisticação da fraude e o desafio para as instituições de saúde em verificar a autenticidade de seus colaboradores.

As mortes sob investigação e a defesa de um dos acusados

O ponto central da denúncia do Ministério Público são as oito mortes que teriam ligação com a atuação dos falsos médicos. A defesa de Mayke Cesar Silva, representada pela advogada Rosana Machado, manifestou-se à Folha, afirmando que não há elementos que comprovem dolo nas mortes. A advogada argumenta que Mayke é estudante de medicina, cursando o último período, e que atuava no hospital na condição de estagiário, sob supervisão de outro profissional.

A tese defensiva sustenta que os óbitos foram decorrentes de causas naturais, atribuídas a intercorrências clínicas e comorbidades preexistentes dos pacientes, devidamente registradas em prontuário. Como exemplo, a defesa citou o caso de uma paciente que deu entrada em estado grave, com dengue hemorrágica, e outra portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica em estágio avançado. A defesa de Marcos Philipe não foi localizada para comentar as acusações até a publicação desta reportagem.

O posicionamento do hospital e os desdobramentos

O Hospital das Clínicas Jardim Helena, onde os fatos ocorreram, declarou-se vítima da conduta ilegal dos investigados. A instituição informou que, ainda na primeira fase da operação, registrou um boletim de ocorrência assim que foi contatada pelas autoridades policiais. O hospital esclareceu que os denunciados eram prestadores de serviço terceirizados e que a direção iniciou uma sindicância interna para apurar os fatos e reforçar seus protocolos de contratação e fiscalização. Este episódio ressalta a importância de hospitais e clínicas adotarem rigorosos processos de verificação de credenciais para garantir a segurança dos pacientes e a integridade de seus serviços.

A denúncia, que ocorre quatro meses após a segunda fase da operação que levou à prisão de Mayke, marca um avanço significativo na busca por justiça e na proteção da saúde pública. Casos como este servem como um alerta para a necessidade de vigilância constante por parte das autoridades, das instituições de saúde e da própria população, que pode verificar a regularidade de um médico junto aos conselhos regionais de medicina. Para mais informações sobre como verificar a situação de um profissional, consulte o Conselho Federal de Medicina.

Acompanhe o M1 Metrópole para se manter informado sobre este e outros casos que impactam diretamente a sociedade. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma leitura aprofundada dos fatos que moldam o cenário local, regional e nacional.

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