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Chuva forte em São Paulo: Temporal causa morte, inundações e caos no Anhangabaú

Chuva forte em São Paulo: Temporal causa morte, inundações e caos no Anhangabaú
1 de 7 Carros amontoados após inundação no túnel do Anhangabaú, em SP — Foto: Reprodução/TV Globo

Um intenso temporal atingiu a cidade de São Paulo na última quarta-feira (14), deixando um rastro de destruição, caos e uma vítima fatal. Em um período de apenas 1h30 de chuva mais intensa, acompanhada de granizo e ventos fortes, a capital paulista enfrentou alagamentos generalizados, desabamentos e severos transtornos na mobilidade urbana. O episódio reacende o debate sobre a resiliência da infraestrutura da metrópole diante de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes.

A tragédia mais grave ocorreu na Zona Norte, onde uma mulher de 47 anos morreu soterrada após o deslizamento de uma encosta que atingiu sua residência. Paralelamente, cenas de desespero se espalharam por diversas regiões, com destaque para o túnel do Anhangabaú, que ficou completamente submerso, e a Avenida 23 de Maio, onde veículos foram arrastados pela força da água.

Inundações Paralisam Vias Centrais e Túnel do Anhangabaú

O coração de São Paulo foi um dos pontos mais afetados pela fúria da chuva forte. No Centro, o túnel do Anhangabaú, uma das principais artérias viárias da cidade, transformou-se em um cenário de caos. Vinte e seis carros e dois ônibus ficaram completamente submersos, exigindo a intervenção do Corpo de Bombeiros para resgatar quatro pessoas que ficaram presas na enchente. Motoristas relataram pânico, descrevendo a rapidez com que a água subiu, em questão de segundos, surpreendendo a todos.

A Prefeitura informou que as seis bombas de escoamento do túnel estavam em funcionamento, mas não foram suficientes para lidar com o volume excepcional de 42 milímetros de chuva registrados em apenas 40 minutos pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) na região. A situação no Anhangabaú remete a eventos passados, como a enchente de 1999, quando 160 veículos também ficaram submersos no local, evidenciando a vulnerabilidade da área a temporais.

Na Zona Sul, a Avenida 23 de Maio, outra via de grande fluxo, também registrou alagamentos significativos, com carros parcialmente submersos. O Parque Ibirapuera, um dos cartões-postais da cidade, teve seu lago transbordado, resultando na derrubada de grades e na inundação de suas vias internas e pistas de caminhada. A concessionária Urbia registrou impressionantes 97 milímetros de chuva no parque em menos de uma hora, enquanto o Córrego do Sapateiro, na Vila Mariana, também transbordava.

Tragédia e Danos Estruturais em Diferentes Regiões

Além dos alagamentos, a chuva forte causou danos estruturais e a perda de uma vida. Na Zona Norte, a vítima fatal foi encontrada entre os escombros de sua casa na Brasilândia, que desabou devido a um deslizamento de terra. Moradores da região agiram rapidamente para retirar a mulher antes da chegada das equipes de resgate. O caso foi encaminhado ao 72º Distrito Policial (DP) para investigação e perícia.

No Bixiga, região central, uma pensão na Rua Conselheiro Ramalho sofreu um desabamento parcial e foi interditada pela Defesa Civil, embora não houvesse moradores no imóvel no momento do incidente. Até o início da noite, a Prefeitura contabilizava 16 ocorrências de queda de árvores em toda a cidade, além de diversos chamados para desabamentos e deslizamentos, demonstrando a amplitude dos estragos.

Impacto na Mobilidade e Serviços Essenciais

Os transtornos se estenderam ao transporte público e aéreo, afetando milhares de paulistanos. A água invadiu acessos de estações do Metrô, como Japão-Liberdade (Linha 1-Azul), Paraíso e Trianon-Masp (Linha 2-Verde), embora a circulação dos trens não tenha sido interrompida na estação Japão-Liberdade. No Terminal Bandeira, os ônibus municipais ficaram parados por cerca de uma hora, entre 16h e 17h, devido aos alagamentos.

A Linha 7-Rubi da CPTM operou com velocidade reduzida entre Palmeiras-Barra Funda e Jundiaí, após uma falha de sinalização atribuída à chuva. O Aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do país, registrou 24 voos cancelados (11 chegadas e 13 partidas) e diversos atrasos, com o túnel Congonhas, próximo ao aeroporto, também sendo tomado pela água. Em resposta aos transtornos, a Prefeitura suspendeu o rodízio municipal de veículos das 17h às 20h.

Unidades de saúde estaduais também foram afetadas, mas a Secretaria Estadual da Saúde garantiu que os atendimentos foram mantidos, com pacientes remanejados sem prejuízo à assistência. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) destacou em vídeo nas redes sociais que choveu 40% do que era esperado para o mês inteiro em poucos minutos, sublinhando a intensidade do fenômeno.

Alertas e Perspectivas Climáticas para a Primavera

Com a chegada da Primavera, que iniciou oficialmente na segunda-feira (22), o clima em São Paulo e em outras regiões do Sudeste e Centro-Oeste do país entra em uma fase de transição. Especialistas e órgãos de monitoramento alertam para a ocorrência de pancadas de chuva típicas da estação, ventos fortes e o aumento dos riscos de deslizamentos, conforme informações do CGE. Variações bruscas de temperatura também são esperadas nas primeiras semanas da estação.

A Defesa Civil estadual emitiu um alerta para a possibilidade de novas chuvas fortes no dia seguinte ao temporal, com acumulados que poderiam chegar a 80 milímetros na Grande São Paulo, Baixada Santista e Vale do Ribeira, e volumes significativos em Campinas, Sorocaba, Litoral Norte e Vale do Paraíba. O Gabinete de Crise do governo segue monitorando as ocorrências e orienta a população a evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores e acompanhar os alertas oficiais para garantir a segurança. Saiba mais sobre os impactos da primavera no clima.

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