O mercado financeiro brasileiro retomou as atividades após o feriado com um movimento de cautela e reajustes. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,74%, sendo cotado a R$ 5,023, voltando a superar a barreira dos R$ 5. O movimento ocorreu na contramão do cenário internacional, onde a moeda estadunidense apresentou recuo frente a uma cesta de divisas globais.
Apesar da valorização pontual nesta sessão, a trajetória da moeda ao longo de 2026 segue em terreno negativo, acumulando uma queda de 8,50% no ano. O comportamento do câmbio nesta terça-feira foi influenciado por uma combinação de fatores internos, com destaque para a repercussão de pesquisas eleitorais que movimentam o cenário político nacional e geram expectativas entre os investidores.
Ajustes no Ibovespa após recordes
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acompanhou a cautela e fechou em queda de 1,04%, aos 206.887,52 pontos. O recuo é interpretado por analistas como um movimento natural de realização de lucros, já que o índice vinha de uma sequência de recordes históricos na semana anterior, quando chegou a superar a marca dos 209 mil pontos.
O volume financeiro negociado atingiu R$ 45,63 bilhões, refletindo a intensidade dos ajustes nas carteiras dos investidores. Enquanto o mercado interno digeria as incertezas do período eleitoral, o cenário externo também impôs um ritmo de cautela, com as bolsas de Nova York operando sob pressão, especialmente devido ao desempenho de ações do setor de semicondutores e aos balanços trimestrais de grandes instituições financeiras dos Estados Unidos.
Interferência técnica no mercado cambial
Um fato que chamou a atenção dos operadores foi o cancelamento de um leilão de swap cambial pelo Banco Central. A autoridade monetária pretendia ofertar 50 mil contratos com vencimento em 3 de novembro, mas a operação foi suspensa no final da manhã devido a um problema técnico. A ausência dessa intervenção no mercado futuro pode ter contribuído para a volatilidade observada na cotação do dólar ao longo do dia.
Oscilações no mercado de commodities
O setor de energia também apresentou um dia de direções opostas. O petróleo tipo Brent, referência para o mercado internacional, recuou 0,9%, fechando a US$ 105,69 por barril. Em contrapartida, o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, registrou alta de 0,43%, encerrando o dia a US$ 94,14.
A instabilidade nos preços da commodity reflete a complexidade do cenário geopolítico global, com atenções voltadas para a oferta russa, os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, envolvendo a Arábia Saudita e rebeldes houthis no Iêmen. Segundo dados da Agência Brasil, a Opep manteve suas projeções de oferta e demanda, mantendo o mercado atento aos próximos passos da produção global.
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