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Hipertensão atinge quase 30% das crianças e adolescentes no Brasil, aponta pesquisa

Hipertensão atinge quase 30% das crianças e adolescentes no Brasil, aponta pesquisa
Mônica Bergamo

Um levantamento recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) trouxe um alerta preocupante para a saúde pública nacional: quase 3 em cada 10 crianças e adolescentes brasileiros, na faixa etária de 7 a 18 anos, apresentam níveis de pressão arterial compatíveis com o quadro de hipertensão. Os dados, que integram o programa Brasil Coração Saudável, evidenciam uma tendência de crescimento de doenças crônicas precoces entre os jovens.

O cenário da pressão arterial na infância e adolescência

A pesquisa, realizada com o apoio da Sociedade Europeia de Cardiologia, analisou 6.092 estudantes de 38 escolas distribuídas por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Além dos 28,3% diagnosticados na faixa de hipertensão, o estudo identificou que 11,6% dos participantes se encontram em estágio de pré-hipertensão. É importante ressaltar que os resultados são provenientes de uma triagem inicial e não substituem o diagnóstico clínico definitivo, que exige acompanhamento médico contínuo.

Os números revelam uma correlação direta entre o peso corporal e a saúde cardiovascular. Entre os estudantes com obesidade, a incidência de hipertensão chega a 48,4%, enquanto entre aqueles com peso considerado adequado, o índice é de 22,6%. O sobrepeso e a obesidade, que atingem 33,1% dos avaliados, atuam como gatilhos para o desenvolvimento de complicações precoces, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à nutrição escolar e ao combate ao sedentarismo.

Impactos do estilo de vida e fatores de risco

O estudo também explorou indicadores de risco, como a gordura abdominal e o estresse percebido. Jovens com circunferência da cintura acima do padrão recomendado apresentaram uma prevalência de hipertensão de 40,6%. Além disso, o estresse relatado pelos estudantes, tanto no ambiente doméstico quanto escolar, aparece como um fator de influência, atingindo cerca de 12% dos entrevistados em níveis intensos.

A prática de atividades físicas, pilar fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares, ainda está aquém das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, 66% dos estudantes realizam apenas uma a duas horas de exercícios por semana na escola, enquanto a recomendação global é de uma média de 60 minutos diários de atividade moderada a vigorosa.

Desdobramentos e continuidade do monitoramento

O programa Brasil Coração Saudável segue em fase de coleta de dados, com a meta de atingir 12.422 participantes. Até o momento, 49% desse objetivo foi alcançado, com coletas realizadas entre 3 de junho e 7 de outubro deste ano. Os resultados foram apresentados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro, servindo como base para futuras estratégias de intervenção em saúde escolar.

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