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Aliados de Lula acentuam críticas a Janja após presidente ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno

Aliados de Lula acentuam críticas a Janja após presidente ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno
Pedro Ladeira - 5.out.26/Folhapress

O cenário político brasileiro se aqueceu nos bastidores após o primeiro turno da eleição presidencial, com o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerando um processo de autocrítica entre seus aliados. A desvantagem do petista, que terminou a primeira etapa da corrida eleitoral atrás de Flávio Bolsonaro, intensificou o desconforto de petistas e aliados em relação à alta exposição da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, durante a campanha.

Em reuniões tensas convocadas para avaliar o panorama político e o risco de derrota, interlocutores do presidente, que antes se mostravam mais reticentes, começaram a expressar abertamente suas críticas à atuação de Janja. A percepção geral é que seu protagonismo excessivo pode ter contribuído para o resultado aquém do esperado.

Menos Janja e mais Alckmin: o clamor dos aliados

Um dos momentos mais emblemáticos dessa insatisfação ocorreu em uma reunião na terça-feira (6), quando a ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada ao PT, fez uma intervenção contundente. Ela defendeu publicamente a necessidade de ter “menos Janja e mais Alckmin” no segundo turno da eleição presidencial, sendo aplaudida por outros petistas presentes.

A fala de Kátia Abreu fazia alusão à importância de dar maior visibilidade ao vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). A ideia é que Alckmin atuaria como um “avalista” da promessa de responsabilidade fiscal do futuro governo, um ponto sensível para o eleitorado. Além disso, a ex-senadora também teceu críticas à concentração de poder nas mãos do PT de São Paulo, tanto na gestão da campanha quanto na composição da Esplanada dos Ministérios.

Críticas veladas e o “tapete vermelho”

Durante as discussões internas, embora nem sempre de forma explícita, o espaço ocupado pela primeira-dama foi tema de menções cifradas. Um dos participantes da reunião sugeriu que era preciso “parar com louvores evangélicos sobre o ‘tapete vermelho'”, em uma clara referência ao jingle de inspiração gospel que Janja cantava em atos de campanha do presidente. Essa observação sublinhava a percepção de que a primeira-dama estaria adotando um estilo que não se alinhava completamente com a estratégia desejada para a campanha.

Outro integrante da executiva do partido destacou a necessidade de “romper a bolha que hoje cerca o presidente”, lembrando que Lula sempre gostou de estar próximo do povo. Essa fala, sem citar Janja diretamente, foi interpretada como um apelo para que o presidente retomasse uma conexão mais popular e menos “glamourosa”, em contraste com a imagem que, para alguns, a primeira-dama estaria projetando.

Ainda na mesma linha, um parlamentar reforçou a ideia de que Alckmin deveria ter uma evidência maior na campanha, ecoando o sentimento expresso por Kátia Abreu. Essas manifestações, mesmo que indiretas, revelam um consenso crescente entre os aliados sobre a necessidade de reajustes estratégicos para o segundo turno.

Repercussão e a posição de Janja

As críticas se estenderam até mesmo ao desempenho de Lula em Minas Gerais, um estado onde ele havia vencido Jair Bolsonaro (PL) na disputa de 2022. Aliados do presidente passaram a responsabilizar a primeira-dama pelo resultado aquém do esperado, citando, entre outros pontos, o fato de Janja ter xingado o deputado Nikolas Ferreira (PL) durante um comício no estado.

A equipe de Janja foi procurada pela Folha para se manifestar sobre as críticas, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. No entanto, ao jornal O Globo, a assessoria da primeira-dama afirmou que ela continuaria ativa na campanha, contando com o respaldo do presidente Lula. Essa postura indica que, apesar das pressões internas, Janja pretende manter seu papel na reta final da disputa.

A intensificação das críticas a Janja reflete a tensão e a urgência dentro da campanha petista para reverter o cenário desfavorável no primeiro turno. A estratégia para o segundo turno, portanto, deverá passar por uma reavaliação cuidadosa do papel de cada figura pública, buscando maximizar o alcance e a eficácia da mensagem presidencial. Acompanhe as próximas movimentações e análises aprofundadas sobre o cenário político no M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação relevante e contextualizada.

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