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Adesivos de bem-estar: a ciência por trás da promessa de energia e foco

Adesivos de bem-estar: a ciência por trás da promessa de energia e foco
Javier Jaen/NYT

A ascensão dos adesivos de bem-estar nas redes sociais

Não é raro encontrar influenciadores digitais exibindo adesivos coloridos colados aos braços ou ao abdômen, acompanhados de promessas tentadoras: aumento da dopamina, melhora no humor, foco mental aguçado e controle de peso. O marketing por trás desses produtos utiliza uma analogia poderosa, comparando-os aos adesivos de nicotina ou estrogênio, que possuem eficácia comprovada e aprovação de órgãos reguladores para a administração transdérmica de substâncias.

No entanto, a transição entre um medicamento validado e um suplemento vendido livremente no mercado é vasta. Enquanto a indústria de bem-estar cresce, especialistas em farmacologia alertam que a eficácia desses adesivos não é garantida. A grande questão que divide a ciência e o marketing é se vitaminas, extratos vegetais e outros compostos presentes nesses itens possuem, de fato, a capacidade de atravessar a barreira cutânea e atingir a corrente sanguínea em doses terapêuticas.

A complexidade da absorção pela pele

A administração transdérmica é uma ciência consolidada, mas altamente específica. Segundo Igor Koturbash, professor e codiretor do Centro de Pesquisa de Suplementos Alimentares da Universidade de Ciências Médicas do Arkansas, o sucesso desse método depende de propriedades moleculares precisas. “A administração transdérmica de medicamentos é uma ciência de verdade, mas isso não significa que qualquer outro composto possa ser administrado com sucesso por meio da pele”, explica.

Para que uma substância penetre a pele, ela precisa vencer uma estrutura complexa, descrita por pesquisadores como uma barreira de “tijolos e argamassa”, composta por células e lipídios. Compostos de baixo peso molecular e alta solubilidade em gordura têm mais chances de sucesso. Já substâncias hidrossolúveis, como a vitamina B12 — frequentemente encontrada em adesivos energéticos —, enfrentam dificuldades naturais para atravessar essa camada sem o auxílio de tecnologias específicas, como microagulhas que perfuram a epiderme.

Limitações científicas e riscos à saúde

O cenário atual é de escassez de dados clínicos. Diferente dos medicamentos, os suplementos em adesivos não passam pelo mesmo rigor de avaliação de segurança e eficácia. Um estudo relevante, realizado com pacientes pós-cirurgia bariátrica, comparou o uso de adesivos multivitamínicos com a ingestão oral e constatou que os usuários dos adesivos apresentaram maior propensão a deficiências de nutrientes essenciais, como vitamina D e folato, sugerindo uma absorção ineficiente.

Além da dúvida sobre a eficácia, existe o risco de reações adversas. A aplicação constante de substâncias na pele pode desencadear alergias ou irritações locais. Especialistas como Nicole K. Brogden, da Universidade de Iowa, ressaltam que, embora alguns compostos, como a berberina, demonstrem potencial em estudos preliminares, a ciência que sustenta a comercialização desses produtos ainda está muito atrás da velocidade com que eles chegam às prateleiras e aos carrinhos de compras dos consumidores.

O que o consumidor deve considerar

Ao avaliar o uso desses produtos, é fundamental manter um olhar crítico. As alegações de que adesivos podem elevar a dopamina, por exemplo, muitas vezes distorcem processos biológicos complexos, já que os adesivos geralmente contêm precursores que exigem reações químicas internas para serem convertidos no neurotransmissor. O The New York Times aponta que, na maioria dos casos, a falta de padronização nas formulações torna o benefício terapêutico uma incógnita.

Para quem busca saúde e equilíbrio, a recomendação de especialistas permanece a mesma: priorizar fontes comprovadas de nutrição e consultar profissionais de saúde antes de aderir a tendências de bem-estar. O M1 Metrópole segue acompanhando as inovações e os alertas científicos sobre saúde e comportamento. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade sobre os temas que impactam o seu dia a dia.

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