O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou uma investigação contra o prefeito de Cotia, Welington Formiga (PDT), após receber denúncias de que ele estaria pressionando secretários e outros servidores de alto escalão da Prefeitura para fazer campanha em favor de Eduardo Mascarenhas (PDT), conhecido por interpretar o personagem Xaropinho e candidato a deputado federal nas eleições de 2026. As acusações apontam para um cenário de coação e ameaças de demissão, levantando sérias questões sobre a integridade do processo eleitoral e a liberdade de voto dos funcionários públicos.
A denúncia, obtida pelo portal g1, detalha que o prefeito teria utilizado um grupo de WhatsApp, composto por cerca de 105 integrantes do primeiro escalão do governo municipal, para exercer a pressão. Mensagens e áudios atribuídos a Formiga indicam que a não participação na campanha de Mascarenhas ou o apoio a outros candidatos poderia resultar em exonerações, com prazos específicos para as supostas demissões.
As Acusações e a Legislação Eleitoral Violada
As denúncias descrevem um ambiente de intimidação, onde o prefeito Welington Formiga supostamente ameaçaria demitir dezenas de pessoas caso não se engajassem na campanha de seu candidato. Uma fonte, que preferiu manter o anonimato por medo de retaliações, afirmou: “Ele está ameaçando demitir 100 pessoas, quer que a gente trabalhe para o candidato dele e que não faça campanha para outros candidatos. Isso é coação, é crime! E ele continua, parece que ele não tem limite.”
A legislação eleitoral brasileira é clara ao garantir o voto livre e secreto, proibindo qualquer forma de constrangimento, coação ou pressão para influenciar a escolha dos eleitores. O uso da hierarquia no ambiente de trabalho para solicitar votos ou exigir apoio político de subordinados pode configurar assédio eleitoral e, em determinadas circunstâncias, abuso de poder político e uso indevido da estrutura pública. Tais práticas são consideradas graves violações dos princípios democráticos e da ética na administração pública, podendo acarretar sanções severas aos responsáveis.
Provas e o Padrão de Pressão sobre Servidores
A investigação do MPT, confirmada na terça-feira (29), deverá notificar a Prefeitura de Cotia para que se manifeste sobre as acusações. A denúncia é acompanhada de mensagens de texto e áudios que teriam sido enviados pelo prefeito no grupo de WhatsApp. Em um dos áudios, Formiga elabora uma estratégia para eleger dois candidatos, Fran Silva (estadual) e Eduardo Xaropinho (federal), calculando que a mobilização de 30 mil pessoas nos grupos resultaria em 90 mil votos.
Em uma das mensagens de texto, enviada às 22h39, o prefeito teria indicado que funcionários que não apoiassem Eduardo Mascarenhas poderiam deixar a prefeitura a partir de 5 de outubro. “Tem um pessoal que vai começar a me ajudar dia 5 na campanha, aí já poderão apoiar a oposição”, teria escrito Formiga. As denúncias apontam que a pressão se intensificou durante o período eleitoral, com cobranças por publicações, compartilhamentos e vídeos de apoio nas redes sociais, além da exigência de que os servidores se cadastrassem para atuar como “coordenadores” da campanha.
Reuniões Durante o Expediente e Consequências Imediatas
O caso ganhou contornos mais alarmantes com a revelação de que dois secretários foram exonerados em 6 de setembro e recontratados apenas três dias depois, em 9 de setembro, após manifestarem apoio a outros candidatos. Este episódio, segundo a denúncia, gerou grande apreensão entre os demais integrantes da Prefeitura, que passaram a temer perder seus cargos caso não fizessem propaganda para Eduardo Mascarenhas. Relatos indicam que, após as demissões, funcionários desesperados começaram a postar vídeos de apoio ao candidato do prefeito.
Outra grave acusação apresentada ao Ministério Público é a de que servidores teriam sido convocados para reuniões de campanha em horário de expediente. Os funcionários da Prefeitura teriam sido divididos em grupos para participar de encontros às 17h30, 19h e 21h em um posto de gasolina na Granja Viana, bairro nobre de Cotia. Nessas reuniões, os servidores eram orientados a gravar vídeos de apoio ao candidato, o que, na avaliação do denunciante, poderia configurar abuso de poder político e outras irregularidades pelo uso da estrutura pública para fins eleitorais.
A Defesa do Prefeito e a Atuação dos Órgãos de Controle
Procurado para se manifestar, o prefeito Welington Formiga negou categoricamente as acusações. Por meio de nota, ele afirmou que não está pressionando secretários ou servidores comissionados a votar ou fazer campanha para candidatos por ele apoiados. Formiga declarou que todos os funcionários têm total liberdade para apoiar e votar nos candidatos de sua preferência, respeitando a escolha de cada pessoa e jamais condicionando a permanência ou o trabalho de um servidor à sua posição política. Ele ressaltou que seu apoio político a determinados candidatos é uma manifestação pessoal e democrática, não devendo ser confundida com qualquer forma de pressão.
Além do MPT, a denúncia também foi encaminhada ao Ministério Público Eleitoral (MPE) em 13 de setembro. O MPE informou que o procedimento foi remetido para análise na Justiça Eleitoral de Cotia, pois os elementos iniciais não permitiam identificar diretamente o envolvimento do prefeito. No entanto, a Procuradoria Regional Eleitoral esclareceu que, caso surjam indícios de participação direta de Formiga, o caso poderá retornar à sua alçada em razão da prerrogativa de foro. Acompanhe as atualizações deste caso e outras notícias relevantes no M1 Metrópole, seu portal de informação relevante e contextualizada.