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Formigamento no corpo: entenda as causas da parestesia e quando buscar ajuda médica

Formigamento no corpo: entenda as causas da parestesia e quando buscar ajuda médica
Catarina Pignato/ Folhapress

Aquela sensação incômoda de agulhadas, dormência ou fraqueza em membros como braços, mãos e pernas é uma queixa frequente nos consultórios médicos. Conhecida tecnicamente como parestesia, essa condição costuma ser passageira, mas pode esconder alertas importantes sobre o funcionamento do nosso sistema nervoso que não devem ser ignorados.

De acordo com especialistas, a parestesia ocorre devido a uma disfunção, seja ela temporária ou contínua, no sistema sensitivo. Esse mecanismo é o responsável por captar estímulos externos — como pressão, temperatura e toque — e transmitir essas informações ao sistema nervoso central por meio dos nervos periféricos. Quando essa comunicação é interrompida ou comprimida, o cérebro interpreta a falha como o popular “formigamento”.

Mecanismos por trás da compressão nervosa

Na maioria dos casos, o formigamento é um evento benigno e isolado. Posturas inadequadas mantidas por períodos prolongados, como dormir sobre o próprio braço, cruzar as pernas por muito tempo ou permanecer imóvel em uma cadeira, são as causas mais comuns. Ao alterar a posição ou retomar o movimento, a circulação e a condução nervosa são restabelecidas, fazendo com que o sintoma desapareça rapidamente.

No entanto, o estresse também desempenha um papel relevante. Segundo a neurocirurgiã Vanessa Milanese, diretora da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, a tensão crônica na musculatura da nuca e do alto da cabeça pode levar à compressão do nervo occipital. Esse quadro resulta em formigamentos específicos na parte posterior da cabeça, muitas vezes associados a rotinas exaustivas e falta de relaxamento muscular.

Fatores externos e condições clínicas

Além da postura e do estresse, o uso de medicamentos pode desencadear a parestesia. O neurocirurgião Hugo Sterman, médico do OncoStar, alerta que certos tratamentos, especialmente os voltados para câncer de pâncreas e gastrointestinal, utilizam compostos à base de platina. Essas substâncias podem provocar uma polineuropatia tóxica, prejudicando a integridade dos nervos e gerando dormência persistente nas extremidades, como mãos e pés.

A deficiência nutricional também entra no radar médico. A falta de vitamina B12, por exemplo, é um fator de risco conhecido. Como o organismo humano não produz esse nutriente, a ingestão adequada de fontes animais, como carnes, ovos e peixes, é fundamental para a manutenção da bainha de mielina, a capa protetora dos nervos.

Abordagens terapêuticas e prevenção

Quando o formigamento não é apenas um reflexo de uma “má postura” momentânea, o tratamento deve ser individualizado. A conduta médica depende estritamente da causa base e do perfil clínico do paciente. Em situações de tensões musculares crônicas, práticas que promovem o alongamento e o reequilíbrio corporal, como pilates, ioga e acupuntura, costumam ser recomendadas para liberar pontos de compressão nervosa.

A recomendação dos especialistas é clara: se o sintoma for recorrente, persistente ou acompanhado de perda de força muscular, a busca por orientação profissional é indispensável. O diagnóstico precoce permite identificar se a parestesia é apenas um sinal de alerta do corpo por fadiga ou se indica a necessidade de intervenções mais específicas.

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