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Tarcísio de Freitas questiona interdição do túnel do Anhangabaú e cita alerta da Defesa Civil

Tarcísio de Freitas questiona interdição do túnel do Anhangabaú e cita alerta da Defesa Civil
1 de 4 Tarcísio anuncia operação El Niño — Foto: Walace Lara/Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (15) que o Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro da capital, deveria ter sido fechado antes da enchente que deixou 26 carros e dois ônibus submersos na tarde de quarta-feira (14). A declaração, feita durante um evento com agentes da Defesa Civil no Palácio dos Bandeirantes, reacende o debate sobre a eficácia dos protocolos de prevenção e resposta a desastres climáticos na metrópole.

O incidente no Anhangabaú, que viu a água subir rapidamente e cobrir veículos, gerou cenas de desespero e a necessidade de resgate de motoristas. A fala do governador contrasta com a avaliação do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que defendeu a atuação dos protocolos municipais, atribuindo o alagamento ao volume excepcional de chuva em um curto período.

O debate sobre a interdição preventiva e os protocolos

Tarcísio de Freitas foi enfático ao apontar uma falha na gestão do tráfego. “Ontem houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido. Chega uma hora que mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, etc, a sua capacidade de suportar é inferior a quantidade de água que está chegando”, declarou o governador. Sua crítica sugere que, apesar dos sistemas de drenagem, a interdição prévia seria a medida mais prudente para evitar cenários de alto risco.

Por outro lado, o prefeito Ricardo Nunes, ausente no evento, afirmou a jornalistas que o protocolo de reação ao alagamento “funcionou bem”. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a interdição do túnel começou às 15h48, com o bloqueio de duas faixas no sentido Aeroporto, mesmo sem chuva intensa no local. Às 16h, as outras duas faixas foram bloqueadas, resultando no fechamento total da via. Contudo, a entrada mais intensa de água ocorreu entre 16h07 e 16h10, quando o nível atingiu cerca de um metro.

A administração municipal informou que choveu 42 milímetros na região do Anhangabaú em cerca de 40 minutos, volume equivalente a 37% da média prevista para todo o mês de outubro. Ricardo Nunes justificou que não foi possível impedir a entrada de veículos antes da chuva mais intensa porque os carros já estavam na passagem durante o horário de pico. As seis bombas instaladas no local funcionaram ininterruptamente, mas não conseguiram escoar a água na velocidade necessária, sendo reforçadas por caminhões de sucção. A inundação foi eliminada em aproximadamente uma hora.

Operação El Niño: uma nova abordagem climática para São Paulo

A declaração do governador ocorreu durante a cerimônia de lançamento da Operação “El Niño”. Esta nova iniciativa do governo paulista visa frear os impactos climáticos e representa uma evolução da tradicional Operação Chuvas. O plano amplia significativamente o monitoramento, que agora vai além dos temporais para incluir estiagens, ondas de calor, vendavais e incêndios florestais. Com isso, o monitoramento deixa de ser sazonal e passa a funcionar continuamente até o final de 2027, refletindo uma abordagem mais abrangente e preventiva diante das mudanças climáticas.

Histórico de alagamentos e a resiliência da infraestrutura

O alagamento de quarta-feira não é um fato isolado na história do Túnel do Vale do Anhangabaú. Em 2021, uma forte chuva também provocou a inundação de uma das pistas. Um episódio ainda mais grave ocorreu em 1999, quando cerca de 160 veículos ficaram submersos na região, incluindo três ônibus. Esses eventos recorrentes destacam a vulnerabilidade da área a grandes volumes de chuva.

Desde a década de 1980, diversas intervenções urbanas e obras de drenagem foram realizadas ou anunciadas para tentar mitigar os alagamentos no entorno do vale. Entre elas, destacam-se as obras de recuperação e ampliação das galerias do córrego Moringuinho, iniciadas em 2006, e a construção de novas galerias anunciada em 2007. Mais recentemente, em maio de 2026, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma proposta de intervenção no sistema de drenagem da região da Avenida Nove de Julho, com o objetivo de reduzir os alagamentos que atingem o Centro, incluindo o Vale do Anhangabaú. A recorrência dos problemas, no entanto, sugere que as soluções implementadas ainda não foram suficientes para garantir a segurança da via em eventos extremos.

Impactos além do Anhangabaú e a previsão do tempo

A chuva de quarta-feira não se limitou ao Anhangabaú. Na Brasilândia, Zona Norte, uma moradora morreu após sua casa ser atingida por um deslizamento de terra, evidenciando a gravidade do temporal em outras áreas da cidade. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registrou 48,5 milímetros de chuva na estação meteorológica da Sé, o maior acumulado entre as estações do órgão. Outras regiões, como o córrego Sapateiro, no Parque Ibirapuera (67,8 milímetros), e o Parque da Aclimação (64 milímetros), também foram severamente afetadas.

O temporal foi acompanhado por fortes rajadas de vento, que chegaram a 88,9 km/h no Aeroporto de Congonhas. A previsão é de mais chuva nesta quinta-feira (15), com a Defesa Civil do estado alertando para a possibilidade de acumulados de até 80 milímetros na Grande São Paulo ao longo do dia, mantendo o estado de alerta na região.

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