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Apostas online: governo tenta limitar jogatina após prejuízos sociais e econômicos

Apostas online: governo tenta limitar jogatina após prejuízos sociais e econômicos
Elio Gaspari

O governo brasileiro se prepara para uma nova ofensiva regulatória sobre o mercado de apostas online, um setor que, apesar de prometer arrecadação, tem gerado crescentes preocupações sociais e econômicas. Uma medida provisória (MP) está a caminho para impor limites à jogatina que foi legalizada com o objetivo de impulsionar a receita federal, mas que, na prática, tem sido marcada por uma expansão desordenada e impactos negativos.

A discussão sobre a regulamentação das apostas ganha contornos de urgência diante dos dados que apontam para um cenário complexo. Enquanto o Ministério da Fazenda vislumbra uma arrecadação de R$ 12 bilhões caso as apostas fossem proibidas – o que indica o volume financeiro envolvido –, outros setores alertam para os custos sociais e a evasão de divisas que acompanham a atividade.

O Cenário da Legalização e os Desafios Atuais

A legalização das apostas no Brasil, embora motivada pela perspectiva de aumento da arrecadação, ocorreu de forma desordenada, resultando em um ambiente caótico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora reconheça a dificuldade de reverter a situação, já expressou sua preocupação, observando que, com a proliferação dos celulares, “cada sala de jantar virou um cassino”. Essa facilidade de acesso tem amplificado os desafios de controle e fiscalização.

Os números recentes reforçam a gravidade da situação. Em 2025, as apostas online drenaram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares brasileiros. No mesmo período de dois anos, o comércio nacional registrou uma perda estimada em R$ 134 bilhões, um indicativo de como o dinheiro que antes circulava na economia real passou a ser direcionado para o setor de jogos. Além disso, uma parcela significativa desses recursos acaba deixando o país, impactando a balança comercial e a economia nacional.

Impactos Econômicos e Sociais da Jogatina

A teia de interesses em torno da jogatina é vasta e complexa. Clubes de futebol, por exemplo, chegaram a ameaçar com o fim do esporte no Brasil caso as apostas fossem proibidas, ignorando o histórico de sucesso da seleção brasileira em Copas do Mundo sem o patrocínio de casas de apostas. Essa postura revela a profunda interligação entre o setor de jogos e outras esferas da sociedade e da economia.

O ex-ministro da Fazenda e atual candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, tem sido um dos defensores mais veementes da proibição das casas de apostas, argumentando que a atividade “não está fazendo bem para ninguém”. Haddad aponta que o setor “não gera emprego, há evasão de divisas — o que vai de dinheiro para fora é uma montanha de dinheiro — e nós podemos estar falando em alguma coisa entre 0,5% e 1% do PIB. É muito dinheiro para uma coisa que está gerando o quê de bem-estar? Não está gerando bem-estar nenhum.”

A falta de regulamentação adequada também abriu portas para atividades ilícitas. Há indícios de que o crime organizado tem conseguido se infiltrar no setor de apostas, como exemplificado pelo caso de um ex-funcionário do Banco Master envolvido na lavagem de dinheiro por meio do

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