O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) intensificou a pressão sobre a gestão municipal após o severo alagamento que paralisou o túnel do Anhangabaú, no centro da capital, na última terça-feira (14). Em manifestação protocolada nesta quarta-feira (15), a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo solicitou que a Justiça reconheça o descumprimento de prazos judiciais para a apresentação de planos de drenagem urbana e combate a enchentes, pedindo a aplicação de uma multa que pode chegar a R$ 1,8 milhão.
Cobrança judicial e prazos vencidos
A medida do MP baseia-se em uma sentença de outubro de 2025, que transitou em julgado em janeiro de 2026. A decisão obrigava a prefeitura a entregar três planos de intervenção — de curto, médio e longo prazos — com cronogramas detalhados de obras, custos e fontes de financiamento. De acordo com o órgão, os prazos para essas entregas expiraram entre março e julho de 2026, sem que a administração municipal apresentasse documentos que atendessem integralmente às exigências legais.
Além da multa diária de R$ 10 mil, a Promotoria deu um prazo de 48 horas para que o prefeito Ricardo Nunes explique detalhadamente os protocolos de contingência adotados durante o temporal. O MP quer esclarecimentos sobre o acionamento de sistemas de bombeamento, os avisos emitidos à população e os critérios utilizados para a interdição do túnel, que ficou submerso, deixando dezenas de veículos e dois ônibus ilhados.
A defesa da gestão municipal
Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira (15), o prefeito Ricardo Nunes defendeu a atuação da prefeitura, classificando a resposta ao desastre como adequada diante da intensidade atípica da precipitação. Segundo o chefe do Executivo, o volume de 42 milímetros registrado em apenas 40 minutos — quase 40% da média esperada para todo o mês de outubro — sobrecarregou a infraestrutura local, apesar do funcionamento ininterrupto das seis bombas instaladas no túnel.
O prefeito contestou informações sobre o horário de interdição da via e argumentou que a rapidez com que a água subiu impediu um bloqueio preventivo mais eficaz. “Infelizmente a gente não conseguiu se antecipar e fazer o bloqueio dos veículos para dentro do túnel, porque os carros já estavam lá quando o volume de água caiu”, justificou Nunes. Ele também citou as mudanças climáticas como um fator imprevisível, afirmando que os boletins meteorológicos não anteciparam a magnitude da tempestade.
Desdobramentos e infraestrutura
O episódio reacendeu o debate sobre a necessidade de obras estruturais na região central, que concentra cursos d’água subterrâneos. O prefeito mencionou a possibilidade de construir um piscinão sob o Terminal Bandeira, projeto estimado em mais de R$ 350 milhões, embora tenha ressaltado que a obra ainda não figura como prioridade imediata no cronograma da cidade. O Ministério Público, por sua vez, exige que a prefeitura apresente em até 10 dias um cronograma claro para a execução das obras previstas no Plano Diretor de Drenagem e nos Cadernos de Bacia Hidrográfica.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário, enquanto a população aguarda medidas concretas para evitar a repetição de cenas de destruição em pontos críticos da metrópole. Para acompanhar os desdobramentos deste caso e outras notícias relevantes sobre a capital paulista, continue lendo o M1 Metrópole, seu portal de referência para informação com credibilidade e contexto.