A Toyota deu um passo significativo em sua recuperação nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, ao reiniciar parcialmente as operações de fundição em sua fábrica de motores em Porto Feliz, interior de São Paulo. A retomada ocorre exatamente um ano após a unidade ter sido devastada por um vendaval de proporções extremas, que paralisou a produção e gerou incertezas sobre o futuro da planta.
Este marco representa não apenas a resiliência da montadora japonesa no Brasil, mas também o esforço de centenas de funcionários dedicados à reconstrução. A fábrica, que hoje se assemelha a um canteiro de obras, volta a produzir blocos e cabeçotes de alumínio, componentes cruciais para a linha de motores da empresa.
O Impacto Devastador da Microexplosão Atmosférica
O cenário de destruição se instalou em 22 de setembro de 2025, quando uma microexplosão atmosférica atingiu a unidade de Porto Feliz. Em questão de minutos, o fenômeno climático arrancou o telhado da fábrica, torceu vigas metálicas e fez placas de metal voarem como papel, causando danos estruturais massivos.
Gilberto Paulino Junior, diretor industrial da Toyota do Brasil, relembrou os momentos de tensão. A energia caiu às 13h28, e os funcionários foram rapidamente direcionados para áreas de segurança. Pouco depois, às 13h31, o teto desabou sobre a linha de montagem, local de maior concentração de trabalhadores. Felizmente, não houve mortes, embora alguns funcionários tenham sofrido ferimentos leves.
A avaliação inicial dos danos, feita ainda no dia do desastre, revelou a extensão da calamidade. Grande parte da área de fundição foi considerada irrecuperável, com o alumínio solidificado dentro dos fornos. A equipe técnica da Toyota se viu diante de um desafio sem precedentes, precisando cobrir os equipamentos expostos e lidar com a paralisação completa da produção de motores.
A Resposta Rápida e a Adaptação Temporária
A interrupção na fabricação de motores teve um efeito cascata imediato. A produção na fábrica de automóveis em Sorocaba, cidade vizinha, foi paralisada, e o lançamento do aguardado Yaris Cross, previsto para o mês seguinte, precisou ser adiado. A montagem de veículos em Sorocaba só foi retomada em 3 de novembro de 2025, e apenas para as versões híbridas da linha Corolla, que utilizam motores importados do Japão e da Indonésia.
Diante da urgência, a Toyota agiu rapidamente. Em 26 de setembro de 2025, a empresa definiu um plano de retomada, buscando um novo local na região para preservar a logística e a força de trabalho. O escolhido foi um galpão no condomínio empresarial DVR, a apenas 11 km da linha de montagem de veículos.
A transferência de mais de 800 equipamentos para o galpão provisório foi uma operação de alta complexidade. Foi necessário adaptar o piso para suportar o peso dos robôs e instalar toda a infraestrutura elétrica, já que o local contava apenas com iluminação. Paulino Junior destacou que, apesar de parecer um simples “copy/paste”, o processo exigiu contornar colunas e reconfigurar todo o layout de produção, seguindo o eficiente método Kanban da Toyota, que mantém estações de trabalho próximas às prateleiras de peças.
O primeiro motor finalizado na unidade provisória do DVR foi um 1.5 híbrido flex, em 26 de janeiro de 2026, um momento de celebração para a equipe. Desde então, 42 mil motores já foram produzidos no local, que continua operando enquanto a fábrica original é reconstruída. Os moldes para a fundição dos blocos 1.5 (Yaris Cross) e 2.0 (Corolla) foram temporariamente transferidos para o Japão, evidenciando a escala global da operação de recuperação.
O Retorno Gradual e a Nova Era de Resiliência na Toyota Porto Feliz
A retomada da fundição nesta terça-feira, na fábrica original de Porto Feliz, marca o início de uma nova fase. A estrutura reconstruída é 45% mais resistente, com colunas de metal projetadas para suportar eventos climáticos extremos. No entanto, apenas 1/6 da área total da fábrica está pronta, e o retorno completo de todas as operações fabris é projetado para 2028.
Atualmente, a área de fundição conta com 150 funcionários. Dos 830 trabalhadores da unidade, parte continua no galpão provisório do DVR, enquanto outros foram remanejados para a fábrica de automóveis em Sorocaba. A Toyota conseguiu manter todos os empregos, evitando demissões, o que reforça seu compromisso social e com a força de trabalho local.
O episódio de 2025 também impulsionou a Toyota a dedicar maior atenção aos fenômenos climáticos. Um comitê foi formado para monitorar e mitigar as possíveis consequências do El Niño, e todo o processo de reconstrução leva em conta a ocorrência de futuros eventos extremos na região. Embora a apólice de seguros não tenha coberto o lucro cessante nem o prejuízo total, a montadora não divulgou os valores investidos na reconstrução, focando na resiliência e na inovação.
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