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Fadiga e olheiras podem ser sinais de deficiência de ferro no organismo

Fadiga e olheiras podem ser sinais de deficiência de ferro no organismo
Marta Monteiro/Marta Monteiro for The New York Times

A aparência de cansaço constante, frequentemente associada a olheiras profundas e palidez, tem ganhado um novo significado nas redes sociais. Sob o termo viral “rosto de ferritina baixa”, influenciadores e profissionais de saúde têm chamado a atenção para um problema que, embora pareça uma tendência passageira, é considerado a carência nutricional mais comum no mundo: a deficiência de ferro.

Dados apontam que, nos Estados Unidos, quase 1 em cada 3 adultos sofre com essa condição, que atinge as mulheres de forma desproporcional. A prevalência é frequentemente subestimada, sendo tratada por muitos como uma consequência natural do estresse ou da rotina agitada, especialmente em mulheres jovens. No entanto, a falta do mineral pode esconder quadros clínicos que exigem investigação médica rigorosa.

O papel do ferro e os sinais de alerta

O ferro é um mineral essencial para a produção de hemoglobina, a proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Quando os níveis desse nutriente caem, o organismo sofre uma espécie de racionamento de energia, o que explica a fadiga persistente. Além do cansaço, especialistas alertam para sintomas como queda de cabelo, dores de cabeça, falta de ar e tonturas.

Em casos mais graves, a deficiência pode levar ao picacismo, uma condição em que o paciente desenvolve compulsão por ingerir itens não alimentares, como gelo, terra, giz ou papel. Alterações nas unhas e inflamações na língua também são manifestações clínicas que não devem ser ignoradas por quem busca entender a origem de um mal-estar prolongado.

Limitações dos exames tradicionais

Um dos grandes desafios no diagnóstico é a interpretação dos exames de sangue. O hemograma padrão, que mede a hemoglobina, muitas vezes só detecta a deficiência quando as reservas de ferro já estão criticamente baixas, evoluindo para a anemia. Por isso, especialistas defendem a dosagem da ferritina, proteína que armazena o mineral no corpo e oferece um panorama mais preciso das reservas totais.

Atualmente, níveis de ferritina abaixo de 30 nanogramas por mililitro são classificados como deficiência. Contudo, há um movimento crescente na comunidade médica, incluindo propostas da Sociedade Americana de Hematologia, para elevar esse limite para 50 nanogramas por mililitro em pacientes sintomáticos ou com fatores de risco, como gestantes e mulheres com fluxo menstrual intenso.

Fatores que impedem a absorção

A deficiência não decorre apenas de uma dieta pobre em ferro. Diversas condições clínicas podem bloquear a absorção do mineral, independentemente do consumo alimentar. Cirurgias bariátricas, infecções por H. pylori e o uso prolongado de medicamentos para refluxo ácido, como o omeprazol, estão entre os fatores que comprometem a biodisponibilidade do nutriente no intestino.

Além disso, doenças inflamatórias intestinais e quadros crônicos — como doenças autoimunes, insuficiência cardíaca ou câncer — elevam os níveis de hepcidina. Esse hormônio bloqueia a entrada do ferro na corrente sanguínea. Nesses cenários, a suplementação oral costuma ser ineficaz, sendo necessária a administração intravenosa para contornar o bloqueio hormonal.

Dada a natureza inespecífica dos sintomas, que podem ser confundidos com diversas outras patologias, a recomendação é clara: ao notar sinais persistentes, o paciente deve buscar um painel completo de exames. A investigação deve descartar não apenas a falta de ingestão, mas também problemas de absorção e perdas sanguíneas ocultas, garantindo um tratamento seguro e eficaz.

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