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Investigação da PF revela pedido de Vorcaro para apagar vídeo de festa em São Paulo

Investigação da PF revela pedido de Vorcaro para apagar vídeo de festa em São Paulo
1 de 2 Vorcaro pediu para Sicário apagar vídeo no Instagram sobre festa em boate de SP, diz PF — Foto: Montagem/g1

Documentos da Polícia Federal (PF) tornados públicos após a retirada do sigilo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, trouxeram à tona detalhes sobre a atuação de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O relatório aponta que o banqueiro solicitou a Felipe Mourão, identificado nas investigações como “Sicário”, a remoção de uma publicação em rede social que mencionava uma festa particular realizada em São Paulo.

Articulação para controle de conteúdo digital

As mensagens trocadas em novembro de 2023 mostram o momento em que Vorcaro envia um link do Instagram para Mourão com a instrução direta: “derrubar esse”. O conteúdo em questão era um vídeo que exibia apresentações de artistas renomados da cena eletrônica, como Solomun, Vintage Culture e o grupo Swedish House Mafia. A legenda da publicação sugeria que o evento teria sido contratado por um empresário, e a PF sustenta, em seu relatório, que o evento seria, aparentemente, uma festa realizada pelo próprio Vorcaro.

O diálogo revela uma dinâmica de subordinação e execução. Após o pedido inicial, o banqueiro chega a demonstrar hesitação sobre a exclusão da postagem, ao que Mourão responde: “Ué, você quem manda”. Embora o relatório não apresente a conclusão da conversa ou a decisão final do banqueiro, a publicação original permaneceu ativa na plataforma. O perfil responsável pelo post, identificado como @anatrackid, dedica-se a compartilhar curiosidades e registros do universo da música eletrônica.

Estratégias de monitoramento e ataques cibernéticos

O episódio da festa é apenas um dos pontos destacados pela Polícia Federal sobre o comportamento de Vorcaro e seu operador. O relatório detalha um padrão de monitoramento de perfis que, na visão do banqueiro, contrariavam seus interesses. Em situações em que comentários críticos eram feitos, o grupo teria recorrido a métodos agressivos, incluindo a contratação de terceiros — referidos como “os meninos” — para promover a derrubada de contas e até a invasão de serviços de armazenamento em nuvem, como o iCloud.

A gravidade das ações descritas pela PF inclui o uso de documentos falsificados para manipular plataformas digitais. Em um dos casos citados, Mourão teria utilizado um ofício fraudulento, atribuído ao Ministério Público do Ceará, para solicitar à Meta o banimento de uma conta que utilizava dados da namorada de Vorcaro. A solicitação, enviada por meio do e-mail institucional de uma servidora pública real, resultou na exclusão da conta no mesmo dia, evidenciando a sofisticação e o risco das manobras utilizadas pelo grupo.

Contexto das investigações no STF

A divulgação desses registros ocorre em um momento de escrutínio sobre as atividades relacionadas ao Banco Master. O levantamento do sigilo pelo STF permite que a sociedade acompanhe as apurações sobre as articulações do banqueiro, que incluem desde o uso de influência até a tentativa de silenciamento de críticas na internet. As investigações seguem em curso para determinar a extensão das práticas e a responsabilidade de todos os envolvidos no esquema de monitoramento e ataques digitais.

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