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Áudio revela plano de ex-diretor da Fazenda de SP para lavar dinheiro com sauna

Áudio revela plano de ex-diretor da Fazenda de SP para lavar dinheiro com sauna
Foto: Reprodução

Um registro de áudio gravado durante um almoço em 27 de julho de 2023 tornou-se uma das peças-chave nas investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre um esquema bilionário de corrupção na Secretaria da Fazenda. O material, que flagra o então diretor de Fiscalização, André Weiss, discutindo a compra de uma sauna como estratégia para lavagem de dinheiro, foi extraído do celular de Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”.

A origem da prova e o papel do operador

Artur, apontado pelos investigadores como um dos principais operadores do esquema, foi o responsável por registrar a conversa sem o conhecimento dos demais participantes. O aparelho foi apreendido em agosto de 2025, durante a Operação Ícaro, e o conteúdo passou por perícia técnica do Núcleo de Computação Forense do Centro de Apoio Operacional à Execução (Caex), que atestou sua integridade.

Na época da gravação, Weiss ocupava um cargo estratégico na Diretoria de Fiscalização, enquanto Artur atuava como supervisor fiscal na mesma pasta. O encontro, segundo o MP-SP, servia para discutir processos de ressarcimento de ICMS envolvendo grandes empresas, um setor sensível que movimenta cifras vultosas e exige rigorosa fiscalização estatal.

Estratégia para circulação de dinheiro vivo

Durante o diálogo, Weiss detalha a lógica por trás da escolha do negócio. Ao sugerir a aquisição de uma sauna em São Paulo, o então diretor argumenta que o estabelecimento facilitaria a circulação de valores em espécie, devido à natureza do pagamento dos clientes. “Quantas pessoas entram em sauna e pagam em dinheiro? Quase todas, cara. Pô, quem que vai passar um cartão em sauna? Ninguém”, afirmou Weiss na gravação, segundo a transcrição oficial.

Para os promotores, a fala demonstra a intenção clara de ocultar a origem ilícita de recursos. Além da sauna, o áudio revela preocupações de Weiss com a exposição de sinais externos de riqueza, como a compra de um veículo de luxo avaliado em R$ 250 mil, temendo que o patrimônio chamasse a atenção da imprensa e das autoridades, resultando em sua prisão.

Desdobramentos da Operação Ícaro

A gravação foi feita menos de um mês antes da primeira entrega de propina relatada por Paulo Prado em seu acordo de colaboração premiada. Prado afirmou que, a partir de meados de 2023, passou a pagar R$ 250 mil mensais a Weiss para garantir a manutenção do diretor à frente da Delegacia Regional Tributária do Butantã.

As investigações, que se expandiram para além das suspeitas iniciais envolvendo empresas como a Fast Shop e a Ultrafarma, contam agora com um vasto conjunto probatório. Documentos manuscritos, movimentações financeiras e registros de comunicações via WhatsApp e Microsoft Teams entre Artur e o escritório de advocacia Buttini reforçam a tese do Ministério Público sobre a dimensão do esquema.

Em nota oficial, a Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que atua em colaboração com o MP-SP desde a deflagração da operação. A pasta destacou que as apurações internas já resultaram na demissão de cinco servidores, além de exonerações e afastamentos. O órgão também ressaltou que as empresas envolvidas foram autuadas, somando mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros, conforme reportado pelo g1.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso, que expõe as entranhas da corrupção no setor tributário paulista. Continue conosco para atualizações sobre as próximas fases da investigação e as decisões judiciais que envolvem os acusados.

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