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Ex-diretor da Fazenda de SP é preso após áudio revelar plano de lavar dinheiro com sauna e temor de algemas

Ex-diretor da Fazenda de SP é preso após áudio revelar plano de lavar dinheiro com sauna e temor de algemas
Foto: Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo está no centro de um escândalo de corrupção que culminou na prisão do ex-diretor-geral da Administração Tributária, André Weiss. Considerado o terceiro nome mais importante na hierarquia do órgão até maio deste ano, Weiss foi detido nesta quinta-feira (3) sob a acusação de comandar o núcleo público de uma organização criminosa. A investigação ganhou contornos dramáticos com a divulgação de um áudio em que o ex-diretor discute abertamente planos para lavar dinheiro através da compra de uma sauna e expressa temor de ser algemado caso ostentasse bens de luxo.

A gravação, obtida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), oferece um vislumbre perturbador dos bastidores da corrupção. O áudio, com mais de duas horas de duração, foi capturado em julho de 2023 durante um almoço entre fiscais e posteriormente encontrado no celular de Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal preso na Operação Ícaro, em agosto de 2025. A perícia do Núcleo de Computação Forense do Centro de Apoio Operacional à Execução (Caex) atestou a integridade do material, que a Justiça considerou uma prova válida por ter sido feita por um dos participantes da conversa.

O Plano da Sauna e o Medo da Exposição

No trecho mais chocante da gravação, André Weiss sugere a compra de uma sauna como um método eficaz para a lavagem de dinheiro. “Você sabe que eu pensei em pegar dinheiro e comprar uma sauna em São Paulo… pra fazer reunião… eu pensei nisso… e falei com o NNI… vamos juntar uma grana e vamos pegar uma porra de uma sauna, né? E para lavar também é bom”, afirmou o ex-diretor. Ele justificou a ideia pela alta circulação de dinheiro em espécie nesses estabelecimentos: “Quantas pessoas entram em sauna e pagam em dinheiro? Quase todas, cara.” E completou: “Pô, quem que vai passar um cartão em sauna? Ninguém”.

O MPSP interpreta a fala como uma descrição em primeira pessoa de uma possível estratégia para legalizar recursos ilícitos, aproveitando a natureza das transações em dinheiro vivo. Embora os documentos não indiquem que a compra da sauna tenha sido concretizada, a intenção revelada no áudio é um forte indício das práticas investigadas. Além disso, Weiss demonstrou preocupação com a ostentação de riqueza, temendo que a compra de uma Mercedes de R$ 250 mil pudesse atrair a atenção das autoridades e levá-lo aos jornais, resultando em sua prisão. “Você é algemado… chega um promotor pra me prender na hora lá”, disse ele, revelando um conhecimento íntimo dos riscos.

A Trama da Corrupção na Fazenda de SP

A conversa gravada ocorreu em 27 de julho de 2023, pouco antes das primeiras entregas de propina relatadas por Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como “PP”. Prado, ex-delegado regional tributário do Butantã e que se aposentou em 2024, firmou um acordo de colaboração premiada que se tornou peça-chave na investigação. Ele confessou ter recebido cerca de R$ 13,6 milhões do advogado João André Buttini de Moraes para agilizar e destravar pedidos de ressarcimento tributário.

Desse montante, aproximadamente R$ 4,5 milhões teriam sido repassados a Weiss. As entregas, segundo Prado, eram feitas em dinheiro vivo, dentro de mochilas, em locais como restaurantes na Rua Ferreira de Araújo e uma unidade da Ofner na Rua Pedroso de Moraes, em Pinheiros. Prado também afirmou que, a partir de meados de 2023, passou a pagar R$ 250 mil mensais a Weiss para se manter no cargo de Delegado Regional Tributário do Butantã até sua aposentadoria. Documentos manuscritos com divisões de valores, encontrados na casa de Prado, corroboram as acusações, incluindo uma anotação que atribui a “Weiss” uma cota de R$ 747,1 mil relacionada a um processo da Via.

Evidências Sólidas e as Prisões

Durante o almoço gravado, os fiscais também discutiram procedimentos de ressarcimento de ICMS de grandes redes varejistas. Ao ser questionado sobre o assunto de uma reunião reservada com Paulo Prado, Weiss respondeu de forma concisa: “Rateio”. Em outros momentos, a conversa abordou processos cujos números ou valores “não estariam batendo”, e um novo encontro foi combinado para discutir o tema. Para o MPSP, o conteúdo indica que os participantes estavam tratando da divisão de vantagens indevidas relacionadas à liberação de créditos tributários, com relatos e piadas sobre “caixinhas” mantidas por fiscais.

A decisão judicial que decretou a prisão preventiva de Weiss e Buttini ressalta que as acusações não se baseiam apenas na palavra do colaborador. O caso é fortalecido por um conjunto robusto de elementos externos de corroboração, incluindo documentos, quebras de sigilo, movimentações financeiras e a gravação ambiental periciada. Além das prisões preventivas de André Weiss e João André Buttini, outros seis agentes públicos foram afastados de suas funções e estão proibidos de acessar as dependências e os sistemas da Secretaria da Fazenda. Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro, em um desdobramento que abala a confiança nas instituições públicas.

O M1 Metrópole continua acompanhando de perto os desdobramentos deste caso de grande repercussão. Para se manter informado sobre esta e outras notícias relevantes, com análises aprofundadas e contexto essencial, continue navegando em nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que importa para você e para a sociedade.

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