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São Paulo lança plano de saúde contra El Niño; crianças e idosos são os mais vulneráveis

São Paulo lança plano de saúde contra El Niño; crianças e idosos são os mais vulneráveis
Zanone Fraissat - 24.jan.25/Folhapress

Diante da iminente intensificação do fenômeno climático El Niño, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo anunciou um plano abrangente de preparação e resposta em saúde. A iniciativa, lançada nesta segunda-feira (31), visa mitigar os impactos esperados das alterações climáticas, que prometem afetar de forma mais severa grupos como crianças e idosos em todo o estado.

O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, é um fenômeno global que influencia padrões climáticos em diversas regiões, incluindo o Brasil. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos já classificou o evento atual como forte e prevê sua evolução para um patamar “muito forte”, ou “super El Niño”, a partir de setembro. Este cenário acende um alerta para as autoridades de saúde, que se preparam para um aumento significativo de doenças e agravos à saúde pública.

Impactos do El Niño na saúde pública

As projeções climáticas associadas ao El Niño indicam um aumento na ocorrência de chuvas extremas e ondas de calor, fatores que criam um ambiente propício para a proliferação de diversas enfermidades. Entre as principais preocupações estão as arboviroses, como dengue, chikungunya e febre amarela, transmitidas por mosquitos que se reproduzem em ambientes úmidos e quentes.

Além disso, a contaminação da água por enchentes e inundações favorece a disseminação de doenças de transmissão hídrica, como gastroenterites virais e bacterianas (diarreicas), leptospirose e hepatite A. As ondas de calor, por sua vez, elevam os riscos de desidratação, especialmente em populações mais sensíveis.

O fenômeno também pode agravar condições de saúde preexistentes, como doenças crônicas, cardiovasculares e renais, além de problemas respiratórios. A combinação de fatores climáticos extremos e a vulnerabilidade de certos grupos populacionais exige uma resposta coordenada e eficaz do sistema de saúde.

Estratégias do Plano Estadual de Preparação

O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, elaborado pela Secretaria Estadual da Saúde, reúne diretrizes essenciais para os 645 municípios paulistas. Para a construção dessas instruções, os departamentos regionais de saúde realizaram um levantamento detalhado das principais ameaças, prioridades e a dimensão dos impactos esperados em suas respectivas áreas.

A estratégia prevê uma série de ações para garantir a continuidade e a qualidade do atendimento em momentos de crise. Entre elas, destaca-se o mapeamento de redes essenciais de saúde e a definição de rotas alternativas de cuidado, caso ocorram falhas no sistema devido a desastres naturais. O monitoramento da assistência farmacêutica é outro ponto crucial, visando impedir a falta de medicamentos essenciais durante períodos de maior demanda.

A saúde mental também é uma preocupação central do plano, que institui ações específicas para a população afetada por desastres climáticos, bem como para os profissionais da linha de frente, que enfrentam situações de estresse e esgotamento. Além disso, o documento estabelece um protocolo para assegurar a continuidade do tratamento de pacientes que dependem de serviços de saúde com regularidade, como aqueles em terapia renal substitutiva, tratamento oncológico ou que utilizam oxigenoterapia domiciliar.

Vulnerabilidade de crianças e idosos

Regiane de Paula, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde, enfatiza que as alterações climáticas promovidas pelo El Niño tendem a repercutir de forma mais intensa entre crianças e idosos. “Não podemos descartar ninguém — imagine que, num cenário de isolamento, todos serão atingidos. Quando olhamos para a população, os mais afetados costumam ser sempre as crianças e os idosos”, afirma.

A fragilidade fisiológica desses grupos os torna mais suscetíveis a complicações de saúde. Crianças pequenas e idosos podem ter sistemas imunológicos menos desenvolvidos ou comprometidos, além de maior dificuldade em regular a temperatura corporal e em expressar sintomas de forma clara, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. A mobilidade reduzida de idosos e a dependência de cuidadores para crianças também aumentam os riscos em situações de emergência, como enchentes ou falta de acesso a serviços de saúde.

Outro risco significativo em áreas urbanas afetadas por inundações é o de acidentes com animais peçonhentos, como cobras e escorpiões, que são desalojados de seus habitats naturais e buscam abrigo em residências e espaços públicos. A conscientização e a preparação da população para esses cenários são tão importantes quanto as ações governamentais.

A implementação eficaz do Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño será fundamental para proteger a saúde dos paulistas nos próximos meses. A colaboração entre as esferas governamentais e a participação ativa da comunidade são cruciais para minimizar os impactos desse fenômeno climático. Para se manter atualizado sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação de qualidade e contextualizada.

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