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Flávio Bolsonaro intensifica retórica e prega combate ‘de pé ou deitado’ a bandidos

Flávio Bolsonaro intensifica retórica e prega combate 'de pé ou deitado' a bandidos
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Em um claro ajuste de rota para sua campanha presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) abandonou a postura de ‘Bolsonaro moderado’ e adotou um discurso de linha-dura contra a criminalidade. A guinada foi evidenciada em um comício realizado no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, no último sábado, 22 de agosto de 2026, onde o candidato defendeu que o bandido será tirado de circulação “de pé ou deitado”.

A mudança na retórica sinaliza uma estratégia para reforçar sua identidade como herdeiro político do ex-presidente, emulando a estética e o tom incisivo que marcaram as campanhas de seu pai. Este movimento ocorre em um momento de desafios para a pré-campanha de Flávio, que enfrenta dificuldades em atrair partidos do centrão para sua base de alianças e lida com uma série de notícias negativas, incluindo laços com figuras do mercado financeiro.

A guinada no discurso de Flávio Bolsonaro

Durante o evento no Rio, Flávio Bolsonaro não hesitou em confrontar seus críticos. “Ah, ‘o Flávio é radical’. Não gostou? Vota no defensor de bandido”, declarou, rechaçando a imagem de um candidato mais brando que tentou construir inicialmente. Essa postura mais assertiva busca consolidar o apoio de eleitores que se identificam com uma agenda de segurança pública rigorosa, característica marcante do bolsonarismo.

A estratégia de se aproximar da imagem do pai se intensificou, como já havia sido apontado pela Folha de S.Paulo. A necessidade de energizar a base eleitoral e superar o isolamento político parece ser um dos motores para essa recalibragem do discurso, que agora foca em um combate mais direto e sem concessões à criminalidade.

Propostas contundentes para a segurança pública

A segurança pública foi o pilar central do discurso de Flávio Bolsonaro, que apresentou propostas com foco no endurecimento das leis e na repressão ao crime organizado. Entre as medidas anunciadas, destacam-se:

  • Aumento da pena para roubo de celulares: O candidato prometeu que “ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia”, visando coibir um crime que afeta diretamente a população urbana.
  • Classificação de facções como terroristas: Flávio reiterou a promessa de classificar organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas, o que permitiria uma abordagem mais severa no combate a essas estruturas criminosas.
  • Combate ao uso de drones pelo tráfico: Alertando para o avanço tecnológico do crime, o senador mencionou o uso de drones com bombas por traficantes no Rio, prometendo ações para conter essa ameaça.
  • Castração química para estupradores: Uma das propostas mais polêmicas, a castração química para condenados por estupro de crianças e mulheres, foi defendida com veemência, novamente desafiando os opositores com a frase “Não gostou, vota no defensor de bandido”.
  • Prisão imediata para agressores de mulheres: No que tange à violência contra a mulher, Flávio Bolsonaro prometeu que agressores seriam presos imediatamente em um eventual governo seu.

O senador também emitiu um ultimato aos criminosos: “Eu não vou abaixar a cabeça para bandido e terrorista. Vocês [bandidos] têm até dezembro deste ano para sair do Brasil”, declarou, reforçando o tom de confronto direto.

Cenário político e ataques a adversários

Além das propostas na área de segurança, Flávio Bolsonaro direcionou críticas a seus principais adversários políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato ao governo fluminense Eduardo Paes foram alvos de questionamentos sobre a segurança da população. “Com Lula e Paes, vocês acham que vão estar seguros com as suas bolsas, celulares?”, indagou, buscando associar os oponentes a uma percepção de insegurança.

Na esfera econômica, o candidato mencionou a criação do programa “Minha Primeira Empresa”, embora sem detalhar seu funcionamento durante o discurso. Ao lado de Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio, Flávio explorou o nome do aliado em um jogo de palavras: “As ruas são nossas e o Ruas vai andar nas ruas”. O comício foi encerrado com uma polarização clara, posicionando a eleição como uma disputa contra o atual governo: “Ou vencemos o PT ou o PT vai acabar com o nosso Brasil”.

Desafios no palanque fluminense e pesquisa Datafolha

A campanha de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro tem enfrentado uma série de turbulências. Crises locais abalaram seu palanque, com a desistência do ex-governador Cláudio Castro de disputar o Senado e investigações envolvendo Márcio Canella, inicialmente cotado para a vaga. Além disso, o candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, foi impedido de assumir interinamente o Palácio Guanabara, adicionando mais um obstáculo ao cenário político local.

O primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial, divulgado na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, mostra Lula (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%. Em um cenário de segundo turno, o senador também fica atrás, com 43% contra 47% do petista. Os números refletem a necessidade de Flávio em consolidar sua base e expandir seu eleitorado, o que pode justificar a adoção de um discurso mais alinhado à sua base mais fiel.

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