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São Paulo registra 16 casos de sarampo e reforça vacinação para conter surto

São Paulo registra 16 casos de sarampo e reforça vacinação para conter surto
Agência Brasil

O estado de São Paulo confirmou um aumento preocupante no número de casos de sarampo, atingindo a marca de 16 infecções neste ano. A maioria desses registros, 13, concentra-se na capital paulista, acendendo um alerta para as autoridades de saúde e impulsionando uma ampla campanha de vacinação. O mais recente paciente é um bebê do sexo masculino, com menos de um ano, que reside na capital e já havia recebido uma dose da vacina tríplice viral, conforme informações da Secretaria Estadual da Saúde.

Além da capital, outros municípios da região metropolitana também foram afetados: dois casos foram confirmados em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde emitiu uma recomendação para que as três cidades ampliem a vacinação contra o sarampo para toda a população com idade entre 6 meses e 59 anos, independentemente do histórico vacinal. O objetivo primordial dessa estratégia é interromper a circulação do vírus e prevenir a reintrodução da doença no país, que já havia conquistado o certificado de eliminação em anos anteriores.

Avanço do Sarampo Acende Alerta em São Paulo

A situação epidemiológica do sarampo em São Paulo é motivo de grande atenção. Dos 19 casos confirmados em todo o Brasil em 2026, 16 estão sob acompanhamento no estado paulista. A Secretaria de Estado da Saúde ressalta que os casos foram identificados em uma região de intensa mobilidade populacional e elevado fluxo internacional de viajantes, um cenário que favorece a introdução esporádica do vírus. Essa dinâmica torna a contenção ainda mais desafiadora, exigindo uma resposta rápida e coordenada.

A distribuição dos casos na capital revela focos específicos, com seis registros na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, ambas na Zona Norte. Na Zona Sul, foram identificados dois casos nos bairros Capão Redondo e Jabaquara. Em São Bernardo do Campo, os pacientes foram infectados após contato com casos da capital, o que demonstra a rápida capacidade de disseminação do vírus em áreas de alta conectividade. O grupo de infectados abrange desde bebês de até 2 anos até adultos entre 20 e 50 anos, destacando a vulnerabilidade de diferentes faixas etárias.

Estratégia de Vacinação Abrangente Contra o Vírus

Em resposta à escalada dos casos, a campanha de multivacinação foi iniciada em 3 de junho, com previsão de seguir até 1º de setembro. Na capital, a vacina contra o sarampo está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas AMAs/UBSs integradas, facilitando o acesso da população. Para intensificar ainda mais a imunização, a Prefeitura de São Paulo programou um Dia D em 22 de agosto, quando as 483 UBSs da cidade estarão abertas para atendimento estendido.

A campanha não se restringe apenas ao sarampo. Ela visa reforçar a imunização geral, oferecendo não apenas as vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral, mas também todos os demais imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação. Isso inclui BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP, hepatite A e HPV. Nos outros 642 municípios paulistas, a campanha estadual foca na atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de até 15 anos.

Cobertura Vacinal Abaixo da Meta e o Risco de Reintrodução

Um dos fatores que contribuem para o cenário atual é a baixa cobertura vacinal. Os índices da vacina tríplice viral permanecem abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 95% para ambas as doses. Neste ano, a primeira dose alcançou apenas 77,5% de cobertura, e a segunda, 65,5%. Esses números contrastam com os percentuais de 2025, que eram de 94% e 84,4%, respectivamente, indicando uma queda preocupante na adesão à imunização.

O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016, um marco importante após um ano sem circulação sustentada do vírus. Contudo, essa conquista foi perdida em 2019, quando o país registrou cerca de 18 mil casos da doença. Embora o certificado tenha sido recuperado em 2024, o aumento atual de casos em São Paulo reacende o alerta das autoridades de saúde sobre a importância vital da vacinação para manter o país livre da doença.

O Chamado Urgente para a Imunização Coletiva

A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), Tatiana Lang, enfatiza a urgência da situação. “A campanha reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Neste momento, ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população”, afirma Lang. Ela também destaca que, embora alguns casos tenham sido relacionados à importação (com viajantes da Bolívia e Guatemala), a origem exata da cadeia de transmissão ainda está sendo investigada, e é preciso aguardar semanas sem novos casos para declarar a interrupção das cadeias.

Para auxiliar a população com dúvidas e informações, a Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza o portal Vacina 100 Dúvidas, que oferece respostas sobre a eficácia dos imunizantes, possíveis efeitos adversos, doenças imunopreveníveis e os riscos da não vacinação. A participação de todos é crucial para proteger a saúde coletiva e garantir que o sarampo não se estabeleça novamente como uma ameaça constante.

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