Um motociclista de 29 anos, identificado como Guilherme Luis Ferreira Jesus, morreu na tarde da última quinta-feira (30) após ser baleado por agentes da Polícia Militar durante uma ocorrência na região da Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo. O caso, que envolveu uma perseguição e terminou com disparos de arma de fogo, está sob investigação do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Dinâmica da abordagem e versão dos agentes
De acordo com o boletim de ocorrência, a ação teve início quando policiais militares em patrulhamento notaram uma motocicleta Honda CG 160 trafegando com uma passageira sem capacete. A irregularidade motivou a ordem de parada, que, segundo os agentes, foi ignorada pelo condutor. Iniciou-se então uma perseguição pelas vias do bairro, que terminou na Travessa Liberalina, onde o motociclista teria perdido o controle do veículo e caído.
Os policiais relataram que, após a queda, Guilherme Luis Ferreira Jesus tentou fugir a pé. Houve uma primeira tentativa de contenção, na qual os agentes afirmam ter utilizado força física e spray de pimenta. O homem, contudo, teria conseguido se desvencilhar e retomar a fuga. A versão apresentada pelos policiais sustenta que, em um segundo momento, o motociclista teria tentado retirar a arma do coldre de um dos agentes, o que levou o outro policial da equipe a efetuar disparos para impedir a suposta investida.
Investigação e perícia técnica
O registro oficial aponta que foram efetuados cinco disparos contra o motociclista. O socorro foi prestado ao Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, mas a vítima não resistiu aos ferimentos. A perícia constatou três perfurações no corpo do homem, localizadas no flanco esquerdo e na região subclavicular direita. No local da ocorrência, foram encontrados quatro estojos de munição calibre .40.
A investigação do DHPP busca esclarecer as circunstâncias exatas da morte. Um ponto central da apuração será a análise das imagens captadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais militares envolvidos: os soldados Matheus Felipe Macedo Santana, Daniel de Moura da Silva e Felipe Galvão Gianoni Caires Mastrângelo. O inquérito policial já solicitou o acesso a esses registros para confrontar a versão apresentada pelos agentes com as evidências visuais.
Histórico do veículo e desdobramentos
Após o desfecho da abordagem, a Polícia Militar realizou uma verificação detalhada da motocicleta. Foi constatado que a placa afixada ao veículo não correspondia aos dados do chassi. A consulta ao sistema indicou que a moto original, de placa UDZ2D03, possuía registro de roubo datado de 8 de julho deste ano, em São Bernardo do Campo. Naquela ocasião, a vítima relatou ter sido abordada por dois criminosos armados, que subtraíram o veículo, um aparelho celular e outros pertences pessoais.
O caso, registrado inicialmente no 98° Distrito Policial do Jardim Miriam, segue agora sob o crivo da Polícia Civil. O proprietário da motocicleta roubada deve ser convocado para prestar depoimento, contribuindo para o esclarecimento dos fatos que antecederam a abordagem fatal. O portal da Polícia Militar de São Paulo mantém canais de transparência para o acompanhamento de procedimentos internos.
O M1 Metrópole segue acompanhando o desenrolar desta investigação e os desdobramentos sobre a atuação das forças de segurança no estado. Continue conosco para se manter informado sobre os principais fatos que impactam a sociedade, com a credibilidade e o compromisso jornalístico que você já conhece.