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Conselho de Justificação da PM avalia expulsão de Geraldo Neto após relatos de ciúmes e perseguição

Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado da morte da soldado Gisele Alves Santana, enfrenta um processo administrativo que pode resultar em sua expulsão da Polícia Militar (PM). Quatro testemunhas, que já haviam detalhado à Polícia Civil episódios de controle, ciúmes e um comportamento possessivo do oficial, serão ouvidas agora pelo Conselho de Justificação (CJ) da corporação. As novas audiências de instrução estão agendadas para os dias 11 e 14 de maio, conforme publicado no Diário Oficial do Estado.

Este procedimento interno da PM, instaurado em abril, corre de forma independente do processo criminal, no qual Geraldo Neto é réu por feminicídio e fraude processual. A avaliação do CJ é crucial para determinar se o tenente-coronel reúne as condições morais e funcionais necessárias para permanecer nas fileiras da Polícia Militar, um desdobramento que pode impactar sua aposentadoria e benefícios.

O Conselho de Justificação e o futuro do oficial

O Conselho de Justificação é um mecanismo interno da Polícia Militar, composto por três coronéis, que tem a incumbência de avaliar a conduta de oficiais. Sua decisão pode levar à perda do posto e da patente, mesmo que não haja uma condenação criminal transitada em julgado. No caso de Geraldo Neto, o processo é de suma importância, pois ele já foi aposentado pela PM em 2 de abril, mas ainda recebe um salário bruto de R$ 28,9 mil (referente a fevereiro de 2026). Uma eventual expulsão pelo CJ implicaria na perda desse benefício.

Entre as testemunhas que prestarão depoimento, estão um policial militar que foi o primeiro a chegar ao local da morte de Gisele, e três agentes da PM que eram amigas próximas da soldado. Seus relatos são considerados fundamentais para o colegiado, que busca entender a dinâmica do relacionamento do casal e os eventos que antecederam a tragédia. A data para o depoimento do próprio tenente-coronel ainda não foi confirmada.

Relatos de controle e medo: o padrão de comportamento

As investigações da Polícia Civil já revelaram um padrão de comportamento controlador e ciumento por parte de Geraldo Neto, conforme depoimentos de amigas e colegas de Gisele. Uma soldado, que conheceu Gisele em 2014 e trabalhava com ela desde 2022, descreveu como o tenente-coronel monitorava as redes sociais e aplicativos de mensagens da esposa, escalava-se nas mesmas atividades profissionais para vigiá-la e a impedia de usar maquiagem e perfume em casa.

A testemunha também relatou que Gisele confidenciou que a filha do casal demonstrava medo do pai, apresentando perda de peso e episódios de enurese noturna. Gisele expressava o desejo de se divorciar e, em uma ocasião, chegou a comentar que o marido estava armado e que “ele era louco”, afirmando que “o dia que acontecesse alguma coisa, Geraldo Neto a mataria”. Todas as amigas negaram veementemente qualquer indício de que Gisele tivesse tendências suicidas, descrevendo-a como uma mãe dedicada e preocupada com a filha.

Outra sargento, amiga próxima de Gisele, confirmou a presença “quase diária” de Neto no local de trabalho da esposa, observando-a constantemente. Ela notou que Gisele ficava tensa na presença do marido e que, nos últimos seis meses, as queixas sobre brigas, ciúmes e possessividade se intensificaram, embora não houvesse relatos de agressões físicas. A sargento também destacou que Neto não compareceu ao velório nem ao enterro da esposa, apesar da proximidade que mantinham em vida.

A cena do crime e as contradições da versão inicial

A morte da soldado Gisele Alves Santana, ocorrida em 18 de fevereiro no apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo, foi inicialmente apresentada como suicídio pela defesa do tenente-coronel. No entanto, a cena encontrada pelo primeiro policial militar a chegar ao local levantou sérias dúvidas. O primeiro-tenente relatou à Polícia Civil que estranhou a posição do corpo de Gisele, com a arma ainda sobre a perna, e a ausência de cartuchos visíveis.

Ele também observou que o local estava “mais preservado que o de costume numa situação dessas”, o que contraria a desordem típica de um evento violento. O comportamento de Geraldo Neto no momento também foi considerado incomum: ele passou boa parte do tempo ao telefone, tentou tomar banho após a retirada da vítima e, ao ir ao Hospital das Clínicas (HC) supostamente para saber o estado de Gisele, permaneceu no estacionamento. Esses detalhes corroboram a tese do Ministério Público de que houve alteração da cena do crime.

O processo criminal e as provas contra o tenente-coronel

O Ministério Público acusa Geraldo Neto de ter matado a esposa com um tiro na cabeça e, em seguida, tentado simular um suicídio. A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 29 de abril, de que a Justiça comum deverá julgar o caso, se necessário, reforça a gravidade das acusações. Gisele, que tinha 32 anos, deixou uma filha de 7 anos de um relacionamento anterior. O tenente-coronel, de 53 anos, está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes.

As evidências contra o oficial incluem laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP que apontam que ele teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena. Mensagens extraídas do celular de Neto revelam um padrão de controle e violência doméstica, com ele se autodenominando “macho alfa” e exigindo que a esposa se comportasse como uma “fêmea beta”. Além disso, vídeos gravados pelas câmeras corporais dos PMs que atenderam à ocorrência também colocaram em xeque a versão de suicídio. Caso seja condenado, a Justiça poderá fixar uma indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. Para mais informações sobre casos de violência doméstica e feminicídio, você pode consultar o Conselho Nacional de Justiça.

O caso do tenente-coronel Geraldo Neto e da soldado Gisele Alves Santana continua a ser acompanhado de perto, tanto no âmbito administrativo quanto no criminal. A complexidade dos depoimentos e das evidências destaca a importância de uma apuração rigorosa para que a justiça seja feita. Para se manter atualizado sobre este e outros temas relevantes, com informação de qualidade e contextualizada, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de notícias focado em reportagens aprofundadas e análises pertinentes.

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