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STF autoriza Polícia Federal a monitorar Jaques Wagner por risco de vazamento em investigação

STF autoriza Polícia Federal a monitorar Jaques Wagner por risco de vazamento em investigação
18.jun.26/Folhapress

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu autorização para a Polícia Federal (PF) monitorar o telefone do senador Jaques Wagner (PT-BA). A decisão, que veio a público nesta quinta-feira (30) após a retirada do sigilo, foi motivada por uma “suspeita de vazamento” de informações cruciais relacionadas a uma operação que investiga fraudes no Banco Master.

A medida, que inclui o rastreamento da localização em tempo real (ERB) e o acesso a registros de chamadas, mas não ao conteúdo das comunicações, foi considerada essencial pelo relator para garantir a eficácia das diligências e evitar a destruição de provas. A preocupação com a integridade da investigação se intensificou após um dos alvos da operação, o próprio senador, procurar o gabinete do ministro dias antes da deflagração das ações policiais.

O Alerta de Vazamento e a Decisão do Ministro

A autorização para o monitoramento do senador Jaques Wagner e de outros investigados reflete uma preocupação concreta com a possibilidade de comprometimento da operação. Segundo informações de pessoas próximas à investigação, o senador esteve no Supremo em 17 de junho, na véspera da operação que o envolveria. Este encontro, somado a incidentes anteriores de antecipação de ações policiais na mesma investigação do Banco Master, acendeu um alerta no gabinete do ministro André Mendonça.

Em sua decisão, datada de 23 de junho, Mendonça destacou que a solicitação de audiência por parte de um dos investigados ocorreu no mesmo dia em que as representações da Polícia Federal relacionadas a essa fase investigativa foram protocoladas, em 9 de junho de 2026. “Impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso”, afirmou o ministro, justificando a necessidade do acesso aos dados de localização para assegurar a “eficácia da operação” e “evitar a destruição de provas”.

Alcance do Monitoramento e Outros Envolvidos

A decisão do ministro André Mendonça não se restringiu apenas ao senador Jaques Wagner. Outras figuras ligadas à investigação do Banco Master também tiveram o monitoramento de seus telefones autorizado. Entre os alvos estão o empresário Augusto Lima, o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o pai de Eduardo, Guilherme Henrique Sodré Martins, e a diretora da PKL One Participações, Andréa Lima Novaes.

É importante ressaltar que o monitoramento autorizado pelo STF é específico. O ministro Mendonça deixou claro que a PF pode acessar apenas dados técnicos, metadados, registros de chamadas, ERBs (Estações Rádio Base) e informações de conexão que são necessárias para a localização aproximada dos terminais e para a reconstrução da cadeia comunicacional. O acesso ao conteúdo das comunicações, como conversas e mensagens, não foi permitido. O período de monitoramento em tempo real foi fixado em dez dias.

O Contexto da Investigação do Banco Master

A operação em questão faz parte de uma investigação mais ampla sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal tem apurado diversos aspectos desse esquema, incluindo a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, que estaria ligado ao parlamentar. Essa linha de investigação busca desvendar possíveis irregularidades financeiras e conexões entre os envolvidos.

O senador Jaques Wagner, por sua vez, tem reiteradamente negado qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas ao Banco Master. A defesa do parlamentar ainda não se manifestou sobre a recente decisão do STF de autorizar o monitoramento de seu telefone. A situação coloca em evidência a complexidade das investigações que envolvem figuras públicas e a constante tensão entre o sigilo das apurações e o direito à privacidade.

A autorização do STF para o monitoramento de um senador em exercício é um passo significativo em qualquer investigação, sublinhando a gravidade das suspeitas de vazamento e a determinação das autoridades em preservar a integridade das provas. O caso segue em apuração, e novos desdobramentos são aguardados à medida que a Polícia Federal avança nas diligências.

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