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Favela do Moinho: a trajetória da comunidade que se tornou símbolo da luta por moradia em SP

Favela do Moinho: a trajetória da comunidade que se tornou símbolo da luta por moradia em SP
Reprodução G1

Três décadas de resistência no centro da capital

A Favela do Moinho, situada na região do Bom Retiro, consolidou-se ao longo de mais de 30 anos como um dos maiores símbolos da disputa pelo direito à habitação no centro de São Paulo. O que começou como uma ocupação espontânea de um terreno industrial desativado, na década de 1990, transformou-se em um território marcado por tensões fundiárias, tragédias e, recentemente, por um processo definitivo de desocupação conduzido pelos governos estadual e federal.

A história do local remonta ao final da década de 1980, quando a fábrica de farinha que operava no terreno encerrou suas atividades. O abandono das estruturas, incluindo os imponentes silos de concreto, abriu espaço para que famílias sem teto buscassem ali uma alternativa de moradia. Em 2008, a comunidade chegou a obter uma vitória jurídica significativa, quando a Justiça Federal concedeu o direito de usucapião aos moradores, decisão que viria a ser contestada e alterada anos depois.

Incêndios e a fragilidade do território

A vulnerabilidade da área ficou evidente em 2011, quando um grande incêndio devastou parte da comunidade, resultando em mortes e deixando centenas de famílias desabrigadas. O episódio se repetiu em 2012, reforçando o debate sobre a segurança estrutural do terreno e as condições precárias de habitação. Esses eventos colocaram a Favela do Moinho no centro das atenções da gestão pública e dos movimentos sociais, que passaram a exigir soluções definitivas para a população local.

Entre a pressão por despejos e a necessidade de políticas habitacionais, o cenário jurídico oscilou. Em 2017, a gestão municipal da época intensificou as ações para a remoção das famílias. Já em 2024, após uma série de idas e vindas, a Justiça revogou o acesso liminar que garantia a permanência, permitindo o avanço do projeto de requalificação urbana da área, que prevê a criação de um parque no local.

O desfecho e o futuro da área

O ano de 2025 marcou o capítulo final da ocupação. Em março, o governo de Tarcísio de Freitas oficializou a transferência da área para o estado, dando início a uma nova fase. Em abril, protestos de moradores contra o projeto de desocupação foram acompanhados pela entrada de forças policiais na comunidade. Em maio, o governo estadual e o governo federal lançaram um programa habitacional conjunto para realocar as famílias que viviam no terreno.

O encerramento deste ciclo, consolidado em setembro de 2025 com ações do Ministério Público, encerra uma disputa histórica. Para entender os desdobramentos sobre a política habitacional em São Paulo, consulte os registros oficiais do Portal da Prefeitura de São Paulo. O M1 Metrópole segue acompanhando os impactos dessas mudanças urbanas e o destino das famílias, mantendo o compromisso com a apuração rigorosa e o olhar atento aos temas que definem o cotidiano da metrópole.

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