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Ministério da Saúde avança com compra de Prep injetável para prevenção do HIV no SUS

Ministério da Saúde avança com compra de Prep injetável para prevenção do HIV no SUS
8.jun.26/Divulgação MS

O Ministério da Saúde anunciou um passo significativo na luta contra o HIV no Brasil, confirmando um acordo para a aquisição do cabotegravir, um medicamento antirretroviral injetável de longa duração destinado à profilaxia pré-exposição (PrEP). O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha durante a conferência internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, e representa um avanço potencial na estratégia de prevenção do Sistema Único de Saúde (SUS).

A PrEP injetável, que promete maior adesão e eficácia, será submetida na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A expectativa do governo é que, uma vez aprovada, a nova tecnologia esteja disponível para pacientes brasileiros ainda neste ano, marcando uma nova fase na abordagem da saúde pública em relação ao HIV.

PrEP injetável: uma nova era na prevenção do HIV

O cabotegravir, desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa majoritariamente controlada pela GSK, oferece uma alternativa substancialmente mais prática à PrEP oral diária. Enquanto a prevenção usual exige a ingestão de comprimidos todos os dias, a versão injetável é aplicada a cada dois meses, o que pode revolucionar a adesão ao tratamento e, consequentemente, a eficácia da prevenção.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia aprovado o cabotegravir em 2023, e o medicamento começou a ser comercializado no mercado privado em agosto do ano passado. Atualmente, seu preço de tabela no Brasil chega a R$ 4.000, um valor que ressalta a importância da incorporação pelo SUS para garantir o acesso amplo e equitativo à população que mais precisa.

Negociação e acesso no Sistema Único de Saúde

Os detalhes financeiros do acordo ainda estão sendo finalizados. Embora o ministro Alexandre Padilha não tenha confirmado publicamente o valor de US$ 400 (equivalente a R$ 2.032 na cotação atual) por dose, que circulava nos bastidores da conferência, ele indicou que o teto que o governo brasileiro está disposto a pagar equivale a no máximo 10 a 12 vezes o valor oferecido a países como Indonésia e Tailândia, que é de US$ 40 por dose. Essa margem de negociação aproxima a conta do valor especulado, mas ainda mantém a flexibilidade para o governo buscar as melhores condições.

O número exato de doses a serem adquiridas inicialmente também permanece em aberto, dependendo da continuidade das negociações com o laboratório. A incorporação pela Conitec é um passo crucial, pois garante que a tecnologia seja avaliada sob a ótica da custo-efetividade e da relevância para a saúde pública antes de ser oficialmente incluída nos protocolos do SUS. Este processo assegura que os recursos públicos sejam investidos em inovações que realmente tragam benefícios significativos à população.

Avanços e desafios na resposta brasileira à Aids

O anúncio da PrEP injetável veio acompanhado de um balanço positivo sobre a resposta brasileira à Aids. Segundo Padilha, o país registrou em 2024 a maior redução na taxa de mortalidade por Aids de sua história, com o número de óbitos pela primeira vez abaixo de 10 mil. Esse resultado é atribuído a uma série de medidas bem-sucedidas implementadas nos últimos anos.

Entre os fatores que contribuíram para essa melhora, destacam-se a ampliação de 150% na oferta de medicamentos de PrEP pelo SUS e o aumento de 100% nos exames de testagem rápida nos últimos três anos. Essas ações permitiram identificar novas infecções e iniciar o tratamento de forma mais ágil. Atualmente, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV no Brasil começam o tratamento no mesmo dia da confirmação, e mais da metade inicia em até 30 dias, um indicador de agilidade e eficiência do sistema.

Apesar dos avanços, o ministro listou três obstáculos persistentes na resposta brasileira à epidemia: a discriminação e o estigma contra pessoas vivendo com HIV, frequentemente alimentados por movimentos internacionais que atacam os direitos humanos dessa população; o negacionismo científico e a desinformação em saúde; e o acesso a novas tecnologias. Padilha enfatizou que “Inovação sem acesso não deveria ser chamada de inovação. Inovação sem acesso é injustiça”, reforçando o compromisso do governo em democratizar o acesso a tratamentos e prevenções.

Além disso, foi anunciado um novo programa de financiamento para acelerar o acesso a exames de imagem e outros procedimentos mais complexos, como órteses e próteses, associados a comorbidades de pessoas vivendo com HIV. Essa iniciativa visa aprimorar a qualidade de vida e o cuidado integral desses pacientes, abordando necessidades que vão além do tratamento antiviral direto.

A incorporação da PrEP injetável no SUS representa um marco na política de saúde brasileira, oferecendo uma ferramenta poderosa para a prevenção do HIV e reforçando o compromisso do país com a inovação e o acesso à saúde. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes e contextualizadas sobre saúde, política e outros temas essenciais, acesse o M1 Metrópole. Nosso portal está sempre atualizado, trazendo informação de qualidade para você.

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